Sustentabilidade

Fernando de Noronha em alerta após chegada de peixe invasor com grande potencial destrutivo

Vitor Paiva - 14/03/2022 às 10:11 | Atualizada em 16/03/2022 às 10:52

Uma nova invasão vem ameaçando o equilíbrio e a saúde ambiental do arquipélago de Fernando de Noronha, e dessa vez não estamos falando de hordas de turistas nem de empresários em busca do lucro explorando o paraíso, mas sim de um peixe – uma espécie cuja presença em mares do qual não é nativo pode causar um prejuízo ecológico de grandes dimensões. O nome não poderia ser mais apropriado para representar um verdadeiro predador: o peixe-leão vem sendo avistado em Noronha desde dezembro de 2020, e até o final de fevereiro de 2022, 62 peixes da espécie já foram registrados nos mares do arquipélago brasileiro, e 38 foram capturados.

As cores, listras e espinhos venenosos do peixe-leão

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Com o corpo todo listrado e longas e elegantes barbatanas, o peixe-leão engana os peixes menores com sua aparência – sua crista, porém, traz espinhos venenosos, tóxicos inclusive para os seres humanos e, apesar de terem em tubarões, garoupas e outros peixes grandes seus predadores naturais, a espécie costuma se espalhar feito praga nas costas onde se estabelece, e causar grande desequilíbrio, principalmente sobre os peixes de médio e pequeno porte. No Caribe e nos EUA o peixe já é um problema há anos e, ao que tudo indica, a espécie chegou para ficar no Brasil, provavelmente trazida por correntes marinhas até as ilhas, a 350 quilômetros da costa do estado do Pernambuco.

O mergulhador Fernando Rodrigues capturando um peixe da espécie em Noronha

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Além da voracidade com que se alimenta e da aparência que faz com que demore a ser visto como ameaça ou presa, o peixe-leão se reproduz vorazmente, com as fêmeas desovando todo mês, cada uma delas capaz de colocar até dois milhões de ovos em um único ano – além de Fernando de Noronha, o animal já foi visto na costa do Pará e do Rio de Janeiro, mas em quantidades menores. As espécies mais comuns do peixe são a Pterois miles e a Pterois volitans, e ainda são aguardados resultados de análise para determinar quais estão se em Noronha, mas curiosamente há quem diga que a origem da praga em todo se deu a partir de aquários, por pessoas que adquiriram o peixe por sua aparência, mas que o jogaram no mar após a postura predatória se impor, e o animal devorar os outros peixes do aquário.

A dimensão dos peixes capturados no arquipélago brasileiro

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Por enquanto, ainda não é possível medir a dimensão do problema em águas brasileiras, especialmente em Noronha, e especialistas vem trabalhando pelo monitoramento e a defesa das espécies locais, mas lembram que é praticamente impossível impedir o estabelecimento da espécie, especialmente em um local de água quente e com uma fauna marinha tão rica. Além do monitoramento constante, outro elemento que pode fazer diferença para o controle é o fato do peixe-leão oferecer, segundo especialistas, uma carne saborosa – e valiosa, vendida por até 50 dólares o quilo do filé para alguns restaurantes no Caribe, após um cuidadoso processo de limpeza.

A aparência do peixe faz com que ele demore pra ser percebido como ameaça ou como presa

A aparência do peixe faz com que ele demore pra ser percebido como ameaça ou como presa

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© foto 1: Pixabay

© fotos 2, 3: Divulgação/Fernando Rodrigues/Sea Paradise

© foto 4: PxHere


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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