Debate

Guerra: quem são os jornalistas mortos no conflito entre Rússia e Ucrânia

Vitor Paiva - 22/03/2022 às 10:23 | Atualizada em 22/03/2022 às 18:01

Ao menos quatro jornalistas morreram desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia há cerca de um mês, três deles em um intervalo de apenas 48 horas.

Na semana passada, foram confirmadas as mortes do jornalista estadunidense Brent Renaud e, em seguida, do fotógrafo e cinegrafista irlandês Pierre Zakrzewski e da jornalista ucraniana Aleksandra Kurshynova, que formavam uma equipe da emissora Fox News junto do repórter britânico Benjamin Hall, que se feriu no ataque, mas conseguiu deixar o país. Antes, no dia 1º de março, o cinegrafista ucraniano Yevhenii Sakun foi morto durante um bombardeio russo sobre uma torre de televisão em Kiev, capital da Ucrânia.

Brent Renaud, jornalista estadunidense morto no dia 13 de março

Brent Renaud, jornalista estadunidense morto no dia 13 de março em ataque em Irpin

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O jornalista e cineasta estadunidense Brent Renaud foi morto no dia 13 de março, aos 50 anos, em região próxima à cidade de Irpin, nos arredores de Kiev, por tiros disparados, segundo as autoridades policiais locais, por tropas russas.

Primeiro jornalista estrangeiro vitimado pelo conflito, Renaud formava uma premiada dupla de documentaristas com seu irmão Craig, e estava trabalhando com o fotógrafo Juan Arredondo, ferido pelo ataque, em uma série para a revista Time intitulada “Tipping Point”, sobre a crise dos refugiados. Seus trabalhos, para grandes organizações como o New York Times, eram focados, segundo o obituário do jornal, no “sofrimento humano”.

o cinegrafista irlandês Pierre Zakrzewski junto à equipe em frente a hotel em KIev

o cinegrafista irlandês Pierre Zakrzewski junto à equipe em frente a hotel em Kiev

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No dia seguinte à morte de Renaud, na segunda-feira do dia 14 de março, o cinegrafista irlandês Pierre Zakrzewski foi morto aos 55 anos, enquanto trabalhava no subúrbio de Kiev para o canal estadunidense Fox News, ao lado da ucraniana Oleksandra “Sasha” Kuvshynova, de apenas 24 anos, também morta no ataque. Morador de Londres, Zakrzewski era um fotógrafo com experiência na cobertura de guerras que incluía os conflitos no Iraque, no Afeganistão e na Síria.

Segundo a presidente-executiva da Fox News, a jovem Kuvshynova trabalhava como consultora local ajudando as equipes do canal a transitarem pela capital da Ucrânia, coletando informações e buscando fontes para reportagens e transmissões.

Oleksandra "Sasha" Kuvshynova, à esquerda, ao lado de Pierre na Ucrânia

Oleksandra “Sasha” Kuvshynova, ao lado de Pierre na Ucrânia 

A carteira de imprensa de Yevhenii Sakun, compartilhada no Twitter pela jornalista Olga Tokariuk para confirmar a morte

A carteira de imprensa de Yevhenii Sakun, postada no Twitter pela jornalista Olga Tokariuk para confirmar a morte

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Primeiro jornalista morto no conflito, o cinegrafista ucraniano Yevhenii Sakun tinha 49 anos e trabalhava como correspondente da EFE e cinegrafista para a emissora de TV ucraniana Live. Sua morte ocorreu por conta de um bombardeio russo sobre a Kyiv TV Tower, torre de transmissão de TV localizada na capital.

“Todas as partes envolvidas no conflito devem proteger os jornalistas locais e estrangeiros e devem parar de mirar os trabalhadores de mídia, que arriscam suas vidas para informar ao mundo sobre a guerra”, afirmou o secretário geral da Federação Internacional de Jornalistas, Anthony Bellanger, diante da morte de Sakun. Em outro incidente não identificado, dois jornalistas dinamarqueses foram feridos a tiros, mas sobreviveram ao ataque. Até o momento, estima-se que mais de 900 civis tenham morrido no conflito, e mais de 1500 pessoas estejam feridas.

Momento do bombardeio sobre a Kyiv TV Tower na capital ucraniana

Momento do bombardeio sobre a Kyiv TV Tower na capital ucraniana

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© foto 1: Wikimedia Commons

© foto 2: Fox News via Getty Images

© foto 3: Twitter/Olga Tokariuk/reprodução

© foto 4: Twitter/DefenceU


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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