Criatividade

Guia de ‘desenhos’ com sombras para crianças criado por famoso gravurista japonês no século XIX

Redação Hypeness - 15/03/2022 às 10:18 | Atualizada em 17/03/2022 às 10:15

Considerado o último grande mestre de Ukiyo-e, técnica de xilogravura que se fez muito popular no Japão entre os séculos XVII e XIX, o artista Utagawa Hiroshige, mais conhecido simplesmente como Hiroshige, é celebrado principalmente por suas gravuras de paisagens, registrando os cenários e o cotidiano da cidade de Tóquio, quando esta ainda se chamava Edo, ao longo da primeira metade do século XIX. Nascido em 1797 e tendo vivido até 1858, Hiroshige é reconhecido pelo lirismo, intimismo e a sutileza no uso de cores em suas gravuras, realizadas em blocos de madeira, que o trouxeram grande reconhecimento e êxito comercial.

Retrato memorial de Hiroshige feito pelo artista Kunisada

Retrato memorial de Hiroshige feito pelo artista Kunisada

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A força poética de seu olhar como artista, porém, também pode ser vista em outra forma de expressão que ele dominava e ensinava feito um mestre: a arte de fazer fantoches, formas e animais com sombras. Ao longo de sua vida, o artista realizou mais de 8 mil gravuras em blocos de madeira, em vasta obra que inclui uma série de Omocha-e, desdobramento da técnica de Ukiyo-e criado especialmente para crianças durante os períodos Edo e Meiji: a série de gravuras de Hiroshige ensinando a fazer fantoches e “desenhar” com sombras foi publicada inicialmente em 1842.

As sombras ensinadas por Hiroshige começam pelo uso das mãos

As sombras ensinadas por Hiroshige começam pelo uso das mãos

As sombras ensinadas por Hiroshige começam pelo uso das mãos

Alguns “desenhos” mais complexos exigem o uso de adereços

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Detalhando como contorcer as mãos, pernas, braços e mesmo o corpo todo, a fim de criar imagens de coelhos, pássaros, cachorros, lesmas, ou para “desenhos” mais complexos, de guerreiros e barqueiros, o guia foi pensado para que as sombras fossem criadas atrás das famosas Shōjis, portas preenchidas com papel translucido, típicas da arquitetura tradicional japonesa. Entre as sombras mais complexas de serem realizadas, as ilustrações também sugerem o uso de adereços e objetos complementares, como hashis e pequenos potes, a fim de melhor “desenhar” cada imagem.

As gravuras foram publicadas por Hiroshige para as crianças japonesas em 1824

As gravuras foram publicadas por Hiroshige para as crianças japonesas em 1824

As gravuras com brincadeiras infantis são chamadas de Omocha-e

As gravuras com brincadeiras infantis são chamadas de Omocha-e

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Se as figuras mais simples exigem somente o posicionamento correto de uma mão ou dos dedos contra a luz e as telas das Shōjis, as imagens mais elaboradas propõem uma verdadeira performance para serem corretamente realizadas – ilustrando de forma tocante e clara a delicadeza poética e o rigor preciso que costumam marcar as mais tradicionais formas de arte japonesas. Publicado no fim da vida de Hiroshige, é interessante perceber que o guia de sombras se tornou popular na última fase da política conhecida como Sakoku, que, durante a era Edo, isolou o país de comércios e influências de países estrangeiros por 264 anos, entre 1603 e 1867 – somente ao fim do período, o Japão moderno que hoje conhecemos começou a nascer.   

Hiroshige

As sombras mais complexas exigem o corpo inteiro – em verdadeira performance

Delicadeza e rigor se reúnem na arte das sombras ensinada por Hiroshige

Delicadeza e rigor se reúnem na arte das sombras ensinada por Hiroshige

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© artes: Utagawa Hiroshige/Open Culture/reprodução


Redação Hypeness
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