Diversidade

Homens brancos dominam redações de maiores jornais do país, aponta levantamento

Yuri Ferreira - 10/03/2022 às 10:32 | Atualizada em 14/03/2022 às 10:15

Um levantamento do Grupo de Estudos Multidisciplinares em Ações Afirmativas (Geema) mostrou como os jornais impressos do Brasil são majoritariamente dominados por homens brancos, com subrepresentação de mulheres e pessoas negras.

O estudo do grupo que faz parte da Universidade Estadual do Rio de Janeiro analisou edições dos jornais O Globo, Folha de São Paulo e Estado de São Paulo. O Geema chegou a números interessantes ao coletar o nome das pessoas que assinavam as colunas e matérias nas edições impressas. Através da amostra, o grupo chegou a observar mais de mil nomes.

Jornalismo sem diversidade é um jornalismo que reforça as desigualdades da sociedade e aprofunda suas estruturas

A análise do Geema indica um problema grave de representação dentro das grandes redações do Brasil. 84% das pessoas que assinavam textos nesses jornais eram brancas, enquanto apenas 43% da população brasileira se identifica com essa raça segundo o IBGE. A perspectiva mostra como a comunicação, a veiculação e a produção de notícias no país é sistematicamente e estruturalmente branca.

Os dados ficam ainda mais assustadores quando olhamos para o Estado de São Paulo, jornal considerado tradicional e de política editorial conservadora: na linha de frente da notícia do império dos Mesquita, apenas 1% dos jornalistas são pretos e 5% são autodeclarados pardos, enquanto 89% (!!!) da redação é branca.

Ao observamos a questão de gênero, também fica clara a desigualdade entre homens e mulheres dentro nos impressos diários. 60% dos textos eram assinados por homens cis. Apenas uma mulher trans foi identificada na amostra e ela não fazia parte do time de colunistas ou repórteres dessas publicações.

“Quando se trata da produção de notícias e circulação da informação, a discussão sobre desigualdades ultrapassa a questão da justa proporcionalidade e assume um lugar de consolidação da visão de um grupo dominante e invisibilização de vozes diversas acerca de problemas sociais e políticos do país. O cenário observado nos resultados é de que a mídia brasileira se mantém priorizando um olhar sobre o mundo privilegiado e pouco condizente com a realidade nacional”, afirmam os pesquisadores do Gemaa.

Confira a pesquisa completa:

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Fotos: Creative Commons Gráfico: Geema


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness.

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