Inspiração

Irina Karamanos: a namorada do presidente do Chile quer reformular o cargo de primeira-dama 

Vitor Paiva - 25/03/2022 às 09:03 | Atualizada em 29/03/2022 às 08:55

Assim que Gabriel Boric venceu as eleições para a presidência do Chile, se iniciaram as especulações a respeito de qual seria a posição de Irina Karamanos, namorada do jovem presidente há 3 anos, diante do “cargo” de primeira-dama que naturalmente seria seu como companheira do novo chefe de estado chileno: cientista social reconhecida como militante e liderança feminista, desde a campanha que a jovem declarou que era preciso repensar e atualizar a função de tal título. “É preciso criar uma cara diferente a essa função, despersonalizá-la, e isto vai representar também uma mudança na relação com o poder e a forma com que vemos a relação entre o poder e as mulheres fazem política, afirmou.

A cientista social de 32 anos, atual primeira-dama do Chile

A cientista social Irina Karamanos, de 32 anos, atual primeira-dama do Chile

-8M: 2 milhões de mulheres fazem história contra o patriarcado no Chile

Segundo afirmou à imprensa chilena, a decisão de aceitar a posição só foi tomada em nome da missão de “reformular” o tradicional papel da primeira-dama no país. Pessoas ligadas ao partido Convergência Social, de Boric e do qual Karamanos também é membro e delegada metropolitana, confirmaram que a atuação política da jovem militante é vista de forma autônoma e valorizada por sua experiência como dirigente e ativista feminista, e não por seu relacionamento. Assim, é esperado que sua participação como primeira-dama seja relevante ao longo da administração – durante a campanha, o casal chegou a cogitar a hipótese de Karamanos simplesmente não aceitar a função.

Irina e Boric: o casal namora desde 2019, e se conheceram na militância dentro do partido

Irina e Boric: o casal namora desde 2019, e se conheceram na militância dentro do partido

Irina se destaca dentro do Convergência Social por sua militância e atuação feminista

Irina se destaca dentro do Convergência Social por sua militância e atuação feminista 

-‘Sai uma primeira-dama formosa e entra outra’: a objetificação da mulher no jornalismo

“É uma posição que merece ser repensada porque estamos em tempos diferentes, muita coisa mudou e temos que repensar o poder e as relações que dela emergem”, ela disse, em um programa de TV. O próprio Boric se posicionou de forma ainda mais contundente sobre o tema durante a campanha, sugerindo que poderia suprimir a figura da primeira-dama. “Temos que criar uma instância que seja transparente, com base no mérito e carreiras de serviço público, e não de laços de sangue ou afinidade com o presidente”, disse. Essa não seria a primeira vez que alguém abriria mão da função: em 2018, Beatriz Gutiérrez Müller não assumiu a posição quando seu marido, Andrés Manuel López Obrador, tornou-se presidente do México.

Apesar de discreta, a cientista social foi fundamental durante a campanha de Boric

Apesar de discreta, o trabalho da cientista social foi fundamental durante a campanha de Boric

-Campanha chilena explica como mulheres podem abortar sem serem consideradas criminosas

Aos 32 anos, Irina Sabine Karamanos Adrián tem formação em Ciências Políticas, Educação e Antropologia pela Universidad de Heidelberg, na Alemanha, e também de Diversidade Linguística pela Universidade Autônoma de Barcelona – a jovem se vinculou à Frente Ampla chilena, coligação de esquerda da qual Boric também faz parte, em 2014, ao retornar ao país. Sua decisão de aceitar assumir a posição de primeira-dama a tornou alvo de críticas de outras lideranças feministas, por se tratar de um cargo visto como profundamente machista e anacrônico – sua ideia, porém, é justamente trabalhar para reverter parte de tais anacronismos. “Com o Gabriel faço parte do mesmo projeto político, compartilhamos essas convicções e esperanças concretas de contribuir para a construção de uma sociedade alternativa”, afirmou.

Irina é uma militante ativa pela legalização do aborto e os direitos femininos

Irina é uma militante ativa pela legalização do aborto e em defesa dos direitos das mulheres

Publicidade

© fotos 1, 2, 5: Instagram/reprodução

© fotos 3, 4: Convergência Social/reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

Canais Especiais Hypeness