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Lollapalooza: Miley Cyrus e Anitta brilham no festival que debateu política, mas escorregou em diversidade

Redação Hypeness - 28/03/2022 às 14:50 | Atualizada em 11/04/2022 às 13:05

Depois de dois anos de pausa, o Lollapalooza voltou ao Autódromo de Interlagos para uma das maiores edições nestes 10 anos de festival. De Miley Cyrus convidando Anitta a Pabllo Vittar e a rapper fenômeno do tiktok,  Doja Cat, o final de semana de música reuniu uma multidão emocionada e saudosa dos grandes eventos. 

O Lollapalooza abriu na sexta com show do artista multimídia Novíssimo Edgar, um dos mais interessantes da cena rap nacional dos últimos anos. Sempre performático e com letras recheadas de críticas sociais e políticas cirúrgicas, Edgar apresentou faixas de seu novo álbum, “Ultravioleta”, como “Bíblia, Boi e Bala”, além de já conhecidas como “Print”, acompanhado de Pancho Trackman nos grooves e Sthe Araújo na bateria, percussão e backing-vocals. 

Logo no início do show, regado a ótimas projeções de Alexandre Pina, Edgar foi colocado dentro de um saco de lixo preto, enquanto cantava “Plástico”, por um ator mascarado vestido de militar que posava ao lado do saco fazendo arminha com as mãos e tirando selfies. 

Emicida fez um dos shows mais elogiados do Lollapalooza

“O futuro já foi e continua sendo

O futuro é uma criança com medo de nós”

Anitta: 7 momentos em que a cantora e engajou socialmente 

Pabllo Vittar

Depois de uma chuva rápida, mas que chegou a levar parte da estrutura de alguns palcos, Pabllo Vittar começou sua apresentação para um público molhado e enérgico. Dona de dezenas de hits, a artista ouviu suas faixas serem cantadas uma a uma pelos fãs emocionados. 

A cantora fez um L e exibiu uma bandeira do PT com o rosto do ex-presidente Lula – o assunto rendeu e provocou uma tentativa de censura ao Lolla por parte do governo federal.

Tirando uma peça de roupa por vez, ela terminou belíssima num maiô minimalista, exibindo aquele corpaço de milhões. Na Hora de “Sua Cara”, um dos maiores hits da carreira, Pabllo fez questão de parabenizar a patroa Anitta, que atingiu recentemente o 1⁰ lugar entre as artistas mais ouvidas no Spotify mundial. Não é pra menos, né? 

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Pabllo Vittar entregou hits e trouxe política para o debate

Doja Cat 

A rapper veio pela primeira vez ao Brasil para mostrar que é muito mais do que um hit do tiktok. Entre o rap de qualidade e a alma de diva pop, ela levou o público à loucura com seus sucessos “Woman”, “Say so”, “Kiss Me More” e “Need to know”. 

Miley Cyrus

Uma das atrações internacionais mais esperadas, o show de Miley Cyrus em São Paulo foi marcado por fortes emoções. Além de tocar os clássicos mais importantes da carreira como “7 things”, “The Climb” e “Party in the U.S.A.”, a cantora levou o público ao delírio com “Boys Don’t Cry” . 

Miley convidou ninguém menos do que Anitta e ainda se declarou a brasileira que segundo ela é uma das melhores artistas de todo o mundo. 

“Ela [Anitta] também acaba de chegar ao topo do Spotify global com sua música. Já fazia tempo que o Brasil merecia estar nessa posição, mas se era para ser alguém, estou feliz que foi ela”, comentou Miley Cyrus sobre a conquista de Anitta. O espetáculo ainda contou com um pedido de casamento. O casal, que se conheceu no último show de Miley no Brasil, há mais de sete anos, foi convidado pela cantora para eternizar esse momento ali com ela.

Miles Cyrus recebeu Anitta e se emocionou durante o show

Emicida

O rapper Emicida, uma das principais atrações do segundo dia de Lollapalooza, abriu seu show com protestos contra o presidente Jair Bolsonaro e também se emocionou ao homenagear Taylor Hawkins, baterista do Foo Fighters, morto durante turnê da banda na Colômbia

Emicida confessou que estava com saudade dos palcos e ainda cobrou jovens entre 15 e 18 anos a tirarem o título de eleitor antes do prazo final, em 4 de maio. 

Dividido em atos, o show de Emicida narrou diferentes momentos de sua história. A apresentação contou com diversas participações, incluindo Rael e Drik Barbosa. Além de Majur, que entrou para acompanhá-lo em “Amarelo”, faixa que gravaram juntos no último álbum do rapper.

Emicida cobrou jovens entre 15 e 18 anos para tirarem o título de eleitor

A$AP ROCKY 

A$AP Rocky foi a principal atração de rap internacional do festival e entregou um show ao seu estilo, confiante e exagerado. O papai mais famoso de 2022 (que espera um filho com a namorada Rihanna) fez questão de não censurar os trechos proibidos para menores no show.

Assim como muitos artistas que vêm de fora para o Brasil, Rocky também ergueu uma bandeira verde e amarela, enquanto falava ao público que estava ali para representar todo mundo e que desejava que as pessoas estivessem se sentindo bem. “Amo vocês”, completou A$AP ROCKY, que cantou “Sundress” enrolado na bandeira brasileira.

Alok 

Alok fez Interlagos virar uma grande balada no set de encerramento do palco eletrônico do Lollapalooza, no sábado. A seleção de repertório foi acompanhada de fogos de artifício e com a maior quantidade de lasers já presente em um show. 

Alok tocou sucessos como  “Hear me now”, e outros remixes, além de faixas de outros DJs, como “Titanium”, de David Guetta, “Rhythm of the night”, de Corona, “Sweet Dreams”, do Eurythmics e um mashup de “What’s going on” do 4Non Blondies, com “Praise you”, do Fatboy Slim.

O show também contou com um clássico dos sets de formatura: “Psycho Killer”, dos Talking Heads. O público também curtiu remixes de “Another brick in the wall part II”, do Pink Floyd, e “Wonderwall”, do Oasis, “Rolling in the deep” e “Set fire to the rain”, de Adele, “Rude”, hit de 2014 do Magic, e “Smells like teen spirit”, do Nirvana.

Diversidade

O Lollapalooza cresceu e ganhou mais dias e público. A edição deste ano seguiu o padrão das duas últimas, com três dias de eventos e atrações de estilo diversificado, apesar de ainda ser mais focada em pop e rock. 

Apesar do aparente esforço em colocar headliners mulheres, como Miley Cyrus e Doja Cat, o festival segue com line up pouquíssimo focado em diversidade – e olha que foi a edição mais diversas até aqui. 

Com um total de 70 atrações que somavam 145 artistas, apenas 11% eram mulheres, 2% não-binaries (representades por Gloria Groove, Ashnikko e LP, apenas), 16,6% negros e 9,7% LGBTQIA+. Nenhuma dessas encerraria a programação de nenhum dia, exceto pela alteração de domingo. Após a morte de Taylor Hawkins, baterista do Foo Fighters, Planet Hemp e Emicida fecharam a edição do Lolla. 

“Gostaria de ver aqui a MC Drika, que é uma artista que está crescendo e seria uma representatividade interessante ela estar aqui. Aos pouquinhos está um pouco mais diverso, mas ainda longe do ideal, tanto em relação às mulheres, quanto às pessoas pretas e LGBT. Ainda tem que avançar e para isso o festival tem que ouvir as pessoas”, disse Nicoly França, que foi ao Lollapalooza para ver Pabllo Vittar e The Strokes.

O Lollapalooza evoluiu, mas ainda carece em diversidade

Censura 

O terceiro dia de Lolla começou longe de Interlagos: o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entendeu como propaganda eleitoral a apresentação de Pabllo Vittar e de Marina, no primeiro dia, e proibiu novos ‘atos eleitorais’ no último dia de festival. A decisão foi contestada por vários artistas, que não se intimidaram. 

No domingo, o vocalista da Banda Fresno, Lucas Silveira, gritou “Fora Bolsonaro” e exibiu nos telões a mesma frase. A plateia seguiu o cantor e entoou os gritos em uníssono. Além dele, o rapper Djonga, que também subiu ao palco do Lollapalooza, não deixou de passar sua mensagem política

Edgar foi outro a debater política por meio da música

“Não pode falar? Então vamos falar que eu gosto de desobedecer“, completou em referência a decisão do TSE. No último show do festival, em um tributo ao baterista do Foo Fighters, Taylor Hawkins, liderado por Planet Hemp e Emicida, os artistas fizeram pedidos para que jovens tirassem o título de eleitor. 

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Fotos: Rooftop Conteúdo/Divulgação


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