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Lollapalooza: pesquisa mostra falta de diversidade e predominância masculina no festival

Redação Hypeness - 24/03/2022 às 12:18 | Atualizada em 24/03/2022 às 12:30

Você sabia que mais de 79% dos artistas que tocaram no Lollapalooza eram homens cis? E que mais de 80% das atrações do festival na história eram brancas? A agência cultural 300Noise, revelou nesta quarta-feira (23), o estudo ‘O Lolla é Diverso?’ que avalia a representatividade do evento. Os pesquisadores analisaram as mais de 500 atrações do Lollapalooza, entre 2012 e 2022, para entender o evento que ocorrerá nos dias 25, 26 e 27 de março no Autódromo de Interlagos, em São Paulo.

Dados mostram que festival Lollapalooza dá preferência a artistas brancos no line-up

O banco de dados criado pela agência observou as bandas e artistas sobre critérios de raça, identidade de gênero, nacionalidade e gênero musical. Outro ponto abordado pela pesquisa foi o valor do ingresso do Lollapalooza, que aumentou drasticamente nos últimos anos mesmo diante do crescimento dos índices de pobreza, que afeta pelo menos 52 milhões de pessoas, segundo o IBGE.

Brancos no palco

A pesquisa da 300 Noise mostrou que, ao longo dos 10 anos de festival, bandas de homens cis – sem qualquer membro de outra identidade de gênero – dominaram os lineups, com 79,5% das atrações do evento sendo compostas dessa forma.

Predominância de homens brancos é evidente nos últimos dez anos de festival

A primeira edição do Lollapalooza, em 2012, tinha 88% de bandas e artistas somente composta por homens. Este índice, contudo, passou a cair e está estável desde a edição 2016, quando 28% das artistas eram mulheres cis. Na história do festival, apenas 1% dos artistas eram trans.

Essa desigualdade se acentua quando observamos apenas os artistas internacionais, que já são maioria do festival: entre os gringos, 81% são homens.

Além disso, o Lollapalooza é um festival com pouca representação de pessoas racializadas. 78% das bandas, cantores solo e DJs que tocaram no evento são brancos. A próxima edição do evento mostra uma maior quantidade proporcional de pessoas não-brancas: serão 35%. Além disso, a edição de 2022 do Lolla também será a com maior número nominal de mulheres cis e pessoas trans: serão 59.

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“Quando observamos os dados, percebemos que o Lollapalooza tem feito uma transição bastante lenta para um festival mais diverso. Mesmo com alguns esforços evidentes nos últimos anos, o evento segue sendo de uma maioria branca e masculina nos palcos”, afirma Felipe Alves, diretor da 300Noise.

Ao olhar para os países, também percebemos que a maioria das atrações internacionais está concentrada na América do Norte (36,5% do total de atrações) e na Europa (18,9% do total de atrações). O continente asiático só mandou um artista para o Lolla na história. O continente africano mandou 4 (e todos eram brancos).

Valor do ingresso

O preço do ingresso do Lollapalooza sempre foi alvo de críticas por parte da comunidade. Nos últimos anos, a empresa fez campanhas de ingresso social e entrada solidária para o evento, além da disponibilização de um dia gratuito, o chamado Onyx Day, que ocorre nesta quinta-feira (24), mas o preço da entrada segue alto.

O custo da entrada total do ingresso – o chamado Lollapass – encareceu nos últimos anos. A pesquisa analisou o valor da entrada em comparação ao salário mínimo e o preço por atração, ou seja, calculando o preço do Lollapass pelo número de artistas no festival.

Valor de um ingresso pode pagar 3 cestas básicas em momento de crise e inflação no país 

Entre 2012 e 2022, o valor por atração subiu 154%, saltando de R$ 11 por atração para R$ 28. Além disso, entrar hoje no Lollapass custa 1,7 salário mínimo, valor mais alto da história, um salto em comparação com as outras edições com três dias de festival.

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“O aumento de preços pode ser justificado pelo aumento do dólar, mas isso não apaga que o festival não é acessível desde o seu início. Em um Brasil onde a renda per capita familiar é de R$ 1300 não dá para pagar R$ 2100 em um festival de música”, afirma a 300 em nota.

Denúncias de trabalho com pessoas em situação de rua

Nos anos anteriores, diversos denúncias envolviam o festival pelo uso de pessoas em situação de rua para trabalhar na montagem dos palcos do evento. Mesmo após as controvérsias, existem denúncias de que o Lollapalooza segue utilizando mão de obra de pessoas em situação de rua.

Ontem, o Padre Júlio Lancelotti, conhecido por seu trabalho junto à população de rua, denunciou a Time for Fun, que segundo ele segue com a prática. “Hoje mais um irmão em situação de rua pediu uma par de tênis para poder trabalhar na montagem das estruturas do Lollapalooza. Vàrios estão trabalhando na montagem do festival”, afirmou o pároco.

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Fotos: Foto 1 e 2: Divulgação/300Noise Foto 3: Getty Images


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