Ciência

Meteorito encontrado na Rússia pode estar ligado ao impacto que formou a Lua

Vitor Paiva - 15/03/2022 às 10:18 | Atualizada em 17/03/2022 às 10:15

Utilizando um novo método de datação para descobrir a “idade” da rocha, um grupo de cientistas liderado por pesquisadores da Universidade de Cambridge, trabalhando com especialistas da Open University e da Academia Chinesa de Ciências, concluiu que o meteorito que caiu em 2013 na cidade russa de Cheliabinsk, pode ter sua origem no impacto que formou a Lua. Publicada na revista científica Communications Earth & Environment, a hipótese foi determinada a partir de datação por “urânio com chumbo”, analisando amostras microscópicas de minerais como fosfato, presente na rocha, e o efeito de colisões e impactos sobre o composto químico no meteorito.

Pedaço do meteorito de Cheliabinsk, recuperado após queda na cidade russa em 2013

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De acordo com a análise, os minerais teriam sido quebrados na alta temperatura e elevada pressão de uma colisão há cerca de 4,5 bilhões de anos: o que despertou o interesse dos cientistas, portanto, foi o fato de que a “idade” determinado pela nova técnica de datação remonta exatamente ao período em que o sistema Terra-Lua teria se originado. “O fato de todos esses asteroides registrarem intenso derretimento neste momento pode indicar a reorganização do Sistema Solar, resultante da formação Terra-Lua ou talvez dos movimentos orbitais de planetas gigantes”, afirmou o cientista Craig Walter, líder da pesquisa.

Diversas partes do meteorito de Cheliabinsk medidos por uma regra simples

Diversas partes do meteorito de Cheliabinsk medidos por uma regra simples

O verde na imagem mostra o fosfato na mostra utilizada para datar o meteorito

O verde na imagem mostra o fosfato na mostra utilizada para datar o meteorito

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O meteorito de Cheliabinsk teria sofrido outro impacto, mais recente, há cerca de 50 milhões de anos, em temperatura e pressão mais baixas, que provavelmente o removeu de seu asteroide original. O novo método foi utilizado para confirmar a correção de datação realizada anteriormente, e a nova investigação determinou que as datas das colisões apontadas eram verdadeiras. “Os fosfatos na maioria dos meteoritos primitivos são alvos fantásticos para datar os eventos de choque experimentados pelos meteoritos em seus corpos de origem”, afirmou Sen Hu, que realizou a medição. À época, diversos vídeos como o publicado abaixo registraram a queda do meteorito na Rússia.

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De acordo com o artigo, a história das colisões sofridas por asteroides é um “importante arquivo” sobre a evolução do Sistema Solar, sua origem, suas formações e transformações – e as “pistas” de tais colisões são trazidas à Terra através dos meteoritos, já que as rochas em nosso próprio planeta não fornecem tantas informações por sua própria dinâmica tectônica. “Indícios desses impactos são tão antigos que se perderam nos planetas – a Terra, em particular, tem uma memória curta, porque as rochas das superfícies são continuamente ‘recicladas’ pelas placas tectônicas”, afirmou o cientista Oliver Shortlle, do Departamento de Ciências da Terra e do Instituto de Astronomia da Universidade de Cambridge. O artigo pode ser lido em inglês aqui.

Traço deixado nos céus da região dos Montes Urais após a queda do meteorito

Traço deixado nos céus da região dos Montes Urais após a queda do meteorito

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© fotos 1, 2, 4: Wikimedia Commons

© foto 3: Communications Earth & Environment/reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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