Inspiração

Milton Santos vira nome de uma das principais avenidas de Salvador

Redação Hypeness - 04/03/2022 às 06:29 | Atualizada em 07/03/2022 às 12:53

Milton Santos, geógrafo baiano vencedor do Prêmio Vautrin Lud de Geografia, na França, considerado o Nobel de Geografia, acaba de ganhar homenagem. Seu nome agora estampa uma das principais avenidas de Salvador. A prefeitura da cidade sancionou no dia 22 de fevereiro uma lei que alterou o nome da Avenida Adhemar de Barros, em Ondina, para Avenida Milton Santos.

Milton Santos ficou conhecido mundialmente por suas pesquisas referentes à sociologia, economia e política e sua relação com a geografia. O estudioso que morreu em 2001, aos 75 anos, é considerado um dos mais importantes intelectuais do Brasil.

O projeto de alteração do nome da avenida é de autoria do vereador Augusto Vasconcelos (PCdoB), e teve grande apoio e mobilização nas redes sociais. A avenida deve em breve deixar de ter  o nome do médico e político paulista Adhemar de Barros, que nenhuma relação tem com a Bahia, para homenagear Milton Santos. O local é também o endereço do maior campus da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

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A história de Milton Santos

Milton nasceu em Brotas de Macaúbas, cidade do interior da Bahia, na microrregião da Chapada Diamantina. Filho e neto de professores, já aprendeu a falar francês desde cedo e se mudou para a capital baiana. Aos 10 anos, começou a se interessar por Geografia por incentivo do professor Oswaldo Imbassahy e com 15 anos já dava aulas.

Se formou em direto pela Universidade Federal da Bahia, mas nunca chegou a exercer a profissão e seguiu com seu amor pelo estudo e ensino da geografia. Mudou-se para Ilhéus, onde foi professor no colégio municipal, depois como correspondente e logo editor do jornal A Tarde.

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Nesta época, escreveu o livro Zona do Cacau, que acabou incluído na Coleção Brasiliana, já com influência da escola francesa do pós-guerra, que, inicialmente, era voltada para a geomorfologia e os aspectos climáticos. Na sequência, Milton foi convidado para fazer doutorado na França, entre 1956 e 1958.

Voltou ao Brasil, mas manteve boas trocas com os franceses. Em 1960, se tornou Livre Docente em Geografia Humana pela Universidade Federal da Bahia e passou a atuar mais fortemente tanto na área acadêmica quanto na política, sendo subchefe da casa civil na Bahia no governo de Jânio Quadros.

Foi preso durante o golpe militar, mas solto em decorrência de sua saúde. Depois de alguns meses em prisão domiciliar pôde pedir exílio na França, a convite da Universidade de Toulouse-Le Mirail. Lá permaneceu por 13 anos, acumulando conhecimento, reconhecimento e prêmios.

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Em 1971 foi para o Canadá lecionar na Universidade de Toronto, depois se mudando para os Estados Unidos, onde foi pesquisador convidado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). É ali que Milton organiza sua grande obra, “O Espaço Dividido” (1979).

De volta ao Brasil, Milton seguiu lecionando e publicando trabalhos. O Prêmio Vautrin Lud veio em 1994, seguido pelo prêmio Jabuti de melhor livro de ciências humanas, em 1997, depois da publicação de “A Natureza do Espaço”, ano que se aposentou do trabalho como professor da USP.

No Roda Viva, também em 1997, é entrevistado para falar sobre globalização e o papel do intelectual na política nacional:

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Foto de destaque: Paulo Fernandes Silveira


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