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Muleke Doido: estilista lança coleção inspirada na cultura das aparelhagens de Belém do Pará

Roanna Azevedo - 25/03/2022 às 09:21 | Atualizada em 29/03/2022 às 08:55

As cores vibrantes, padronagens autorais e variedade de tecidos marcam a nova coleção do estilista Petrvs Figueira. O designer se inspirou nas festas de aparelhagem de Belém do Pará durante os anos 1990 para criar a Muleke Doido, repleta de peças que resgatam a cultura periférica através de memórias afetivas.

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“Muleke Doido é uma resposta debochada às discriminações dentro de nossas próprias comunidades, transformando a pivetada em protagonista. “

Ao longo dos sete minutos de fashion film, roupas com recortes esportivos e volumetrias ousadas vestem os modelos, que desfilam pela rua da casa de Petrvs e pontos turísticos da cidade. A diversidade do casting se relaciona diretamente com a cartela de cores: uma mistura de tons terrosos, em homenagem às casas de alvenaria, e cítricos.

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Petrvs escolheu utilizar como tecidos principais algodão, malha e tactel, que se adaptam bem ao clima da região. O nylon reflexivo das jaquetas representa a iluminação das mesas de aparelhagem e os fios metálicos dos postes de energia. Esses últimos também são referenciados na peça com franjas pretas.

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As franjas pretas fazem referência às linhas metálicas dos postes de energia.

A estampa de rostos também é criação do estilista, que se inspirou nos amigos e vizinhos de infância mais “apivetados”. O nome “SACRABALA” que aparece em uma das peças é o apelido do bairro da Sacramenta, conhecido por ser uma região de violência.

A padronagem de rostos ilustrada por Petrvs é a alma da coleção.

“SACRABALA” é o apelido do bairro da Sacramento, conhecido por ser uma região violenta.

A valorização da cultura periférica de Belém do Pará também se apresenta em outros detalhes do projeto. Sucessos da house music utilizados nos atos de abertura das aparelhagens formam a trilha sonora do fashion film, que começa ao som de “It’s a Rainy Day”, de Ice MC. A escolha é uma referência à imprevisibilidade do clima da cidade e à pandemia de Covid-19.

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As cores vibrantes se unem aos recortes esportivos.

Além de ser um desdobramento do livro Mente Em Flama (2021), o primeiro escrito por Petrvs, Muleke Doido é fruto do Edital Prêmio Vicente Salles de Experimentação Artística 2021, uma realização da Fundação Cultural do Estado do Pará e do Governo do Pará. Também recebeu o apoio de instituições parceiras, como Kasa Coentro e AfroLab Moda.

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O painel de LED exibe a frase“PERIFERIA RESISTE”, uma alusão ao bordão criado pela produtora Kondzilla “A favela venceu”.

A modelo Anastacia Marshelly é travesti e foi a responsável por fechar o desfile, representando a força e o talento do jovens periféricos.

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Fotos 1, 2, 3 e 5: Divulgação

Fotos 4, 6 e 7: Denys Costa


Roanna Azevedo
Diretamente da zona norte do Rio, é jornalista por profissão e curiosa por conta própria. Ama escrever sobre cinema e o universo do entretenimento há mais de dois anos. Tem paixão por tudo que envolve cultura, música, arte e comportamento, além de ficar sempre ligada no que rola no mundinho da comunicação nas redes sociais.

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