Arte

Mussum do samba ao riso: vida e obra do artista viram temas de doc divertido e emocionante

Redação Hypeness - 16/03/2022 às 10:47

O nome Antônio Carlos Bernardes Gomes pode não causar maiores reações, mas é seguro que o apelido Mussum faz abrir um imenso e imediato sorriso no rosto da maioria dos brasileiros – tão franco e grandioso quanto o sorriso que estampava quase que permanentemente o rosto do humorista e músico carioca. Nascido no Morro da Cachoerinha, na Zona Norte do Rio, em 1941, para se tornar um dos mais populares humoristas da história do Brasil, Mussum teria a vida movida por seu carisma, seu amor pelo samba, e a relação magnética que mantinha com o público: apesar da origem pobre e das circunstâncias que a falta de recursos impõe sobre a maioria dos brasileiros – e, de forma mais impiedosa e injusta, sobre a população negra do país –, antes do sucesso Mussum dedicou-se aos estudos, formou-se como ajustador mecânico após anos em um colégio interno, e transmitiu os conhecimento para sua mãe, que se alfabetizou através dos ensinos do filho.

O imenso sorriso de Mussum, marca registrada do humorista e músico que conquistou o Brasil

O imenso sorriso de Mussum, marca registrada do humorista e músico que conquistou o Brasil

-Escolas de samba: você sabe quais são as agremiações mais antigas do Brasil?

Em meio ao verdadeiro fenômeno comercial e de popularidade que Os Trapalhões, grupo de humor que formou ao lado de Renato Aragão, Dedé Santana e Zacarias, viria a se tornar através da televisão e do cinema, Mussum sintetizava um ideário carioca e brasileiro feito um emblema vivo. Torcedor fanático do Flamengo e da Mangueira – onde atuou como diretor de harmonia da Ala das Baianas e por onde desfilou por mais de 40 carnavais –, o artista começaria a traçar sua história enquanto ainda servia na Força Aérea Brasileira, quando começou a tocar reco-reco no grupo Os Modernos do Samba. O conjunto se transformaria em Os Originais do Samba em 1960, e se tornaria um dos mais icônicos grupos do samba da época, e por onde o tino para o humor de Mussum começaria a florescer – e se popularizar.

O jovem Antônio Carlos, defendendo o reco-reco dos Originais do Samba

O jovem Antônio Carlos, defendendo o reco-reco dos Originais do Samba

Nos vocais dos Originais: foi com o grupo que seu humor começou a ganhar os palcos

Nos vocais dos Originais: foi com o grupo que seu humor começou a ganhar os palcos

Sua entrada na TV aconteceria a partir da segunda metade dos anos 1960, inicialmente como músico: o carisma evidente e abundante, porém, o levaria a ser convidado para integrar Os Trapalhões, até então uma dupla formada por Didi e Dedé. Para integrar uma trupe de humor, o apelido que ganhou de ninguém menos que o imenso Grande Otelo, e que inicialmente não agradou a Antônio Carlos, funcionou perfeitamente – muçum é uma espécie de peixe-cobra típica das águas e terras nacionais. Traçando seu sucesso entre a música e a comédia, Mussum era o mais carismático do grupo, e começava a se tornar um dos mais populares artistas do país.

Com Os Trapalhões, ainda na TV Tupi: início do sucesso de Didi, Dedé, Mussum e Zacarias

Com Os Trapalhões, ainda na TV Tupi: início do sucesso do grupo

-Mangueira e Grande Rio se destacam com Jesus negro e defesa do Candomblé

A menção a Grande Otelo tem valor simbólico fundamental: um dos maiores atores da história do Brasil, Otelo também foi um dos mais importantes artistas negros em um país marcado pelo racismo e pela desigualdade social. Sob esta triste marca nacional, é impossível rascunhar o perfil de Mussum sem sublinhar o fato de que esse gigante da cultura era um homem de pele negra, e que confrontava o racismo em seu trabalho – mesmo em meio à incorreção política que era peculiar ao humor de então. Pois se muitas das piadas utilizadas pelos Trapalhões seriam impossíveis hoje, o charme e o carisma são elementos atemporais, e que explicam, para além do tempo, o motivo pelo qual Mussum segue sendo amado e lembrado – inclusive como tema de um delicioso documentário, disponível no Prime Video, contando a trajetória do personagem, e do Antônio Carlos por trás de Mussum, ao longo dos 53 anos que viveu.  

Zacarias, Mussum, Didi e Dedé: o grupo conquistaria o público da TV e dos cinemas

Zacarias, Mussum, Didi e Dedé: o grupo conquistaria o público da TV e dos cinemas

-8 livros que vão virar série ou filme no Amazon Prime Video em 2022

Dirigido por Susanna Lira, “Mussum: um filme do cacildis” foi lançado em 2019 para trazer ao público não só a lembrança irresistível do talento musical e cômico do artista, mas também os detalhes de sua vida pessoal e familiar – trazendo cenas de shows, apresentações nos palcos e na TV, dos programas e dos filmes de Os Trapalhões, que se tornaram algumas das maiores bilheterias da história do cinema brasileiro. Além da obra, porém, o filme traz a família para contar a história, e os cinco filhos do músico e comediante lembram com evidente carinho e saudade do pai.

O artista de bom coração seria traído justamente pela saúde do seu: Mussum viria a falecer em 1994, após complicações decorrentes de um transplante cardíaco. Sua vida e arte, porém, permanecem, ressoando ao som perpétuo das gargalhadas e refrões que cantou e provocou. O documentário “Mussum: um filme do cacildis” está disponível na Amazon Prime Video.

Diretor de harmonia na Ala das Baianas, no desfile da escola em 1994
Diretor de harmonia na Ala das Baianas, no desfile da escola em 1994

Publicidade

© fotos 1, 2, 3, 4: Prime Video/reprodução

© fot0 5: YouTube/reprodução

© foto 6: Twitter/reprodução


Redação Hypeness
Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Canais Especiais Hypeness