Ciência

Nasa vai estudar sexo no espaço; entenda como e porque

Gabriela Rassy - 17/03/2022 às 09:55

Antes apenas parte da imaginação, dos planos da Nasa (e desejos da ficção científica), o espaço sideral tornou-se cada vez mais acessível aos seres humanos – vide as viagens intermináveis da Blue Origin de Jeff Bezos. Com isso em mente – e considerando que o sexo é uma parte importante da condição humana – a pergunta que não quer calar é: devemos estudar o sexo no espaço? Pois bem, a Nasa acredita que sim.

De acordo com uma equipe de acadêmicos canadenses, chegou finalmente a hora de começar a explorar a nossa permanência em outros planetas, ou em trânsito entre eles, e assim surge o estudo do sexo no espaço, ou “sexologia espacial”.

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Um número crescente de cientistas ligados à agência de pesquisa e tecnologia em programas de exploração espacial argumenta que é essencial saber como a dinâmica sexual fora do planeta para a sobrevivência humana em longas jornadas – ou no caso de se mudar para Marte, como Elon Musk espera fazer até 2050.

É uma área de estudo que a agência espacial tem evitado há muito tempo, então não sabemos exatamente como essa pesquisa pode funcionar, mas sim, o sexo espacial vem aí.

“Nenhuma pesquisa explorou relacionamentos íntimos, nem a experiência humana de funções sexuais e bem-estar, no espaço ou análogos espaciais, ou como isso pode afetar o desempenho da tripulação”, disse Simon Dubé, psicólogo da Concordia University, ao Mic.

Depois de anos evitando de forma pudica o assunto, a NASA parece um pouco mais aberta à ideia, mas alertou que “não está atualmente buscando propostas ou considerando um campo ou escritório de projetos dedicado a esse tópico”.

“Estamos principalmente preocupados em garantir a saúde e a segurança dos membros da tripulação no espaço por longos períodos de tempo”, disse um representante da NASA. “Se uma necessidade futura de um estudo mais aprofundado sobre saúde reprodutiva no espaço for identificada, a NASA tomaria as medidas apropriadas”.

Os cientistas dizem que uma disciplina totalmente nova chamada “sexologia espacial” precisa ser introduzida. No currículo, claro.

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Longas jornadas em segurança

Bubé e outros especialistas publicaram pesquisas no ano passado, dizendo que precisaremos “aprender a reproduzir com segurança e construir vidas íntimas prazerosas no espaço”. Eles estão preocupados com o “impacto prejudicial” que longas viagens pelo espaço podem ter em astronautas privados de sexo, com privacidade restrita e falta de acesso a parceiros íntimos.

“Amor e sexo são centrais para a vida humana”, diz o grupo. “Apesar disso, organizações espaciais nacionais e privadas estão avançando com missões de longo prazo para a Estação Espacial Internacional (ISS), a Lua e Marte sem nenhuma pesquisa concreta e planos para abordar o erotismo humano no espaço.”

O cosmonauta Valery Polyakov passou impressionantes 14 meses no espaço nos anos 90. O aventureiro russo teria se aproximado da colega astronauta Elena Kondakova durante seu tempo juntos na estação espacial Mir. Mas a dupla e os funcionários do Kremlin negaram ferozmente as alegações de que eles haviam dado juntos esse grande passo para a humanidade.

Em seus diários, Valery mencionou que os superiores sugeriram que ele levasse uma boneca sexual para explorar as estrelas com ele na missão – mas ele disse que temia ficar muito apegado à sua parceira inflável. Uma pessoa à frente de seu tempo no quesito saúde mental, meus amigos.

Lá em 2016, a ótima revista Superinteressante já falava sobre o tema. Com base no livro “The Human Mission to Mars: Colonizing the Red Planet” (A missão humana em Marte: colonizando o planeta vermelho, sem edição nacional), do pesquisador Rhawn Joseph, do Brain Research Laboratory, nos EUA, trouxeram algumas opiniões bem-humoradas a respeito.

“O ato sexual durante uma viagem para Marte pode precisar de ginásticas sexuais potencialmente complicadas”, escreve Rhawn. “Mas quaisquer dificuldades associadas à relação sexual no espaço devem acabar sendo resolvidas sem grandes problemas, já que os humanos são notórios por inventarem maneiras de transar apesar de todo tipo de impedimento logístico”.

Você se candidataria ao teste?

–Depois de uma vida sonhando ser astronauta ela se tornará a pessoa mais velha a viajar ao espaço

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Fotos: Getty Images


Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

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