Ciência

Novo peixe é descoberto nas Maldivas e recebe o nome inspirado na flor símbolo do país

Vitor Paiva - 25/03/2022 às 09:31

Basta olhar a nova espécie de peixe descoberta recentemente nas águas das Ilhas Maldivas para compreender o motivo pelo qual o animal foi batizado em homenagem à flor que é símbolo nacional do arquipélago: o Rose-Veiled Fairy Wrasse, que em tradução livre quer dizer bodião-fada-do-véu-rosa, apresenta uma coloração intensa e incrivelmente viva, com tonalidades que remetem à rosa local de nome Finifenmaa. Não é por acaso, portanto, que o nome científico dado à espécie descoberta foi Cirrhilabrus finifenmaa, inspirado na flor, mas sua importância vai além: o peixe é a primeira espécie descoberta também por um pesquisador nativo das Ilhas Maldivas, o biólogo Ahmed Najeeb, que assina o artigo publicado na revista ZooKeys junto com outros pesquisadores.

o Rose-Veiled Fairy Wrasse em tradução quer dizer bodião-fada-do-véu-rosa

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“Sempre foram cientistas estrangeiros que descreveram espécies encontradas nas Maldivas sem muito envolvimento de cientistas locais, mesmo aqueles que são endêmicos das Maldivas”, afirmou Najeeb, que é biólogo do Instituto de Pesquisa Marinha das Maldivas, em comunicado “Desta vez é diferente e fazer parte de algo novo foi realmente emocionante, especialmente ter a oportunidade de trabalhar ao lado dos melhores ictiólogos em uma espécie tão elegante e bonita”. A descoberta foi compartilhada por cientistas da Academia de Ciências da Califórnia, da Universidade de Sidney e do Field Museum, nos EUA, em colaboração que é parte de iniciativa da instituição californiana pela preservação de recifes e corais pelo mundo.

A flor símbolo do país é encontrada em abundante nas quase duas mil ilhas do arquipélago

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Apesar da novidade no nome e na distinção da espécie, o bodião-fada-do-véu-rosa é conhecido desde os anos 1990, mas sua identidade era catalogada a partir de um equívoco: os pesquisadores que o encontraram pensaram se tratar de um peixe adulto da espécie Cirrhilabrus rubrisquamis, ou o bodião de veludo vermelho – os bodiões são muito coloridos e brilhantes e, por mudarem de cor com a passagem dos anos, sua identificação se torna mais complexa. Para determinar que se tratava de uma espécie diferente, os pesquisadores estudaram detalhes de indivíduos adultos e jovens, como a altura dos espinhos nas barbatanas dorsais e, claro, os padrões de cores. Curiosamente, o estudo também envolve um brasileiro: Luiz Rocha é curador de ictiologia da Academia de Ciências da Califórnia e autor-sênior da pesquisa.

A coloração intensa da espécie explica a homenagem no batismo à flor típica - e colorida - das Maldivas

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Quando se determinou que se tratava de uma espécie diferente, a escolha por celebrar a rosa multiflora das Maldivas, da espécie Fiyaathoshi finifenmaa, foi natural – a flor símbolo do arquipélago é abundante nas 1.196 ilhas que formam o paradisíaco arquipélago. Para além da homenagem, a descoberta é importante para a preservação do bodião-fada-do-véu-rosa, que já “nasce” ameaçado pelo intenso comércio e a pesca. “Apesar da espécie ser bastante abundante e, portanto, não estar atualmente em alto risco, ainda é inquietante que um peixe já seja comercializado antes mesmo de ter um nome científico”, disse Rocha. “Isso fala de quanta biodiversidade ainda resta a ser descrita nos ecossistemas de recifes de corais”.

o bodião de veludo vermelho

Antes os cientistas pensavam que a espécie era a já conhecida o bodião de veludo vermelho

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© fotos 1, 3: Yi Kai Tea/California Academy of Sciences

© foto 2: Wikimedia Commons

© foto 4: Luiz-Rocha/California Academy of Sciences


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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