Inovação

Ocupação Prestes Maia, uma das maiores da América Latina, finalmente se tornará habitação popular; conheça história

Vitor Paiva - 21/03/2022 às 10:09 | Atualizada em 22/03/2022 às 17:58

Com 23 andares em seus dois blocos e localizado no bairro da Luz, o Edifício Prestes Maia era um símbolo de uma antiga São Paulo industrial, entre a década de 1950, quando foi construído, e a década de 1980, enquanto funcionou como sede da Companhia Nacional de Tecidos. A tecelagem, porém, foi à falência nos anos 1990, e a imensa construção no Centro da capital paulista permaneceu vazia e abandonada até 2002, quando enfim foi ocupada por pessoas sem-teto em busca de um lugar para morar, tornando o Prestes Maia em uma das maiores ocupações verticais da América Latina – atualizada em um verdadeiro símbolo da luta pelo direito à moradia.

Edifício Prestes Maia

O Edifício Prestes Maia fica na avenida de mesmo nome, na região da Luz, centro de São Paulo

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Pois finalmente a Prefeitura de São Paulo anunciou que irá reformar os prédios, para serem oficialmente transformados em habitação popular, oferecendo a dignidade e a estrutura que todo cidadão e toda cidadã merecem – e têm direito. Segundo informado, a reforma será coordenada pelo Movimento de Moradia, e utilizará a técnica de “retrofit” para construir 287 apartamentos, com tamanhos entre 30 e 50 metros quadrados – além de luz, gás e água corretamente instalados – para aprimorar a residência das cerca de 60 famílias que atualmente vivem no local, e receber outras 227 famílias que já moraram no Prestes Maia.

Edifício Prestes Maia

Após a reforma, a habitação terá capacidade de receber 287 famílias com toda estrutura

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O edifício pertencia ao empresário Jorge Nacle Hamuche, que o comprou em um leilão público em 1993, e desde a primeira ocupação, em 2002, foram diversas as ordens judiciais pela desocupação do espaço – em 2007, o prédio chegou a ser esvaziado, mas rapidamente voltou a ser habitado por um novo movimento de pessoas antes em situação de rua. Em 2015, durante o mandato de Fernando Haddad, a Prefeitura de São Paulo adquiriu o imóvel, e iniciou o processo que, ao que tudo indica, enfim será concluído, para tornar a ocupação em uma habitação exemplar. Segundo consta, o Prestes Maia chegou a receber 460 famílias simultaneamente vivendo entre tapumes, com somente um banheiro por andar, sem elevadores funcionando e sem água corrente.

Edifício Prestes Maia

O Edifício Prestes Maia visto da Pinoteca de São Paulo

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A Prefeitura afirmou que o edifício, localizado na avenida de mesmo nome, é um de muitos outros prédios abandonados que serão adquiridos e reformados, para serem transformados em habitação, a fim de contornar ao menos um pouco uma terrível equação brasileira: segundo estudo da Fundação João Pinheiro, faltam quase 6 milhões de moradias no país, mas existem 6,8 milhões de espaços disponíveis, a maioria em edifícios abandonados no centro das grandes cidades. O direito à moradia é assegurado pela Constituição Federal de 1988 para todos os brasileiros e brasileiras, como uma competência comum da União, dos estados e dos municípios.

Edifício Prestes Maia

Detalhe da entrada do prédio, onde ainda se lê o nome da Companhia Nacional de Tecidos

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© fotos 1, 2, 3: Wikimedia Commons

© foto 4: Wally Gobetz/Flickr/CC


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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