Ciência

Ondas sonoras convertem células tronco em ossos em avanço para medicina regenerativa

Vitor Paiva - 07/03/2022 às 10:16 | Atualizada em 08/03/2022 às 10:56

Uma nova técnica desenvolvida por cientistas australianos pode representar um avanço importante para a medicina regenerativa em baixo custo e funcionamento simples, utilizando simplesmente o som como tratamento. O método, mais barato e eficaz do que os outros experimentais atualmente em teste, dispara ondas sonoras de alta frequência nas células-tronco de pacientes com câncer ósseo, e se revelou capaz de regenerar e mesmo “produzir” ossos, sem precisar utilizar medicamentos adicionais, como os chamados “indutores de ossos”, facilitando a aplicação das células-tronco nos pacientes.

Imagem ampliada das células-tronco se transformando em células ósseas através das ondas sonoras - o verde mostra o colágeno, presente nos ossos

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“Nosso dispositivo é barato e simples de usar, então pode ser facilmente ampliado para tratar um grande número de células simultaneamente – vital para a engenharia de tecidos eficaz”, afirmou Leslie Yeo, coautor do estudo e professor do Instituto Real de Tecnologia de Melbourne, na Austrália. A maioria dos tratamentos para o tipo de câncer atualmente utiliza material extraído da medula óssea, procedimento costumeiramente invasivo e especialmente doloroso. “As ondas sonoras reduzem em vários dias o tempo de tratamento geralmente necessário para que as células-tronco comecem a se transformar em células ósseas”, afirmou Amy Gelmi, coautora do estudo.

Dispositivo com microchip que emite as ondas sonoras em alta frequência

Dispositivo com microchip que emite as ondas sonoras em alta frequência

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Através de um dispositivo capaz de gerar ondas sonoras em frequências acima de 10 megahertz, inaudíveis para o ser humano, em um experimento o som foi lançado sobre as células-tronco durante cinco dias, por somente dez minutos diários, demonstrando um aumento significativo no processo. Depois de serem “transformadas” em células ósseas, as células-tronco podem ser injetadas em um ponto ou revestidas em um implante, ganhando assim capacidade de se regenerar e mesmo de se desenvolver para formar uma parte óssea nova. “Podemos usar as ondas sonoras para aplicar a quantidade certa de pressão nos lugares certos às células-tronco, para desencadear o processo de mudança”, afirmou Yeo.

O método foi desenvolvido no Instituto Real de Tecnologia de Melbourne, na Austrália

O método foi desenvolvido no Instituto Real de Tecnologia de Melbourne, na Austrália

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Além do custo e da simplicidade, outro diferencial importante para perceber o novo método como um possível avanço transformador é a possibilidade de se utilizar células de outras partes do corpo que não a medula óssea – torna-se possível utilizar células-tronco capturadas até mesmo de tecidos adiposos do paciente. De acordo com os pesquisadores, é preciso ainda expandir as pesquisas para que o método possa ser de fato utilizado por médicos, mas os baixos custos e bons resultados aumentam as esperanças para que em breve a técnica com ondas sonoras se torne uma ferramenta útil para a medicina regenerativa.

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© fotos: Instituto Real de Tecnologia de Melbourne


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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