Sustentabilidade

‘Pacto do Plástico’: por que acordo entre 175 nações assinado na ONU é considerado histórico

Vitor Paiva - 11/03/2022 às 10:20 | Atualizada em 15/03/2022 às 10:54

A Organização das Nações Unidas (ONU) assinou ontem uma resolução considerada “histórica”, reunindo autoridades e representantes de 175 nações para iniciar o estabelecimento do primeiro acordo global contra a poluição plástica. O documento, baseado em três projetos iniciais de autoria de diversos países, foi assinado por chefes de estado, ministros e ministras do meio-ambiente e representantes de todo o mundo, prevendo a criação de um Comitê Intergovernamental de Negociação (INC), para preparar o texto do acordo até 2024, a partir de reunião do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), ocorrida em Nairóbi, capital do Quênia.

Membros do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, em Nairobi

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A previsão é de que o texto estabeleça uma ampla agenda a ser cumprida pelos países, focando nas diversas etapas da poluição ligada ao plástico, desde sua produção, passando pelo descarte dos produtos, e chegando enfim ao processo de reciclagem do material. “Vamos iniciar o processo extremamente importante de negociação de um tratado forte para proibir a poluição plástica”,  afirmou Sveinung Rotevatn, ministro norueguês do clima e do meio-ambiente, na abertura da última sessão do PNUMA. “É um dia para entrar nos livros de história”, afirmou, lembrando que o INC começará os trabalhos ainda em 2022 para apresentar o texto dentro da meta de dois anos estabelecida.

Aterro sanitário, tomado de dejetos plásticos, no Quênia, onde ocorreu a reunião

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De acordo com comunicado das Nações Unidas, o PNUMA irá iniciar um fórum até o final de 2022, a fim de que as partes interessadas possam compartilhar práticas e experiências diferentes em todo o mundo, para facilitar o debate “informado pela ciência”, e auxiliar no desenvolvimento do texto. Em seguida, uma conferência diplomática será convocada pelo Programa, para que os Estados participantes possam retificar um documento final, que dirá respeito tanto às poluições marinhas quanto terrestres, a partir de todo tipo de produção plástica, incluindo os microplásticos.

Central queniana de reciclagem de plástico: somente 10% do material é reaproveitado no mundo

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A importância do tratado, considerado o maior esforço global ambiental desde o Acordo de Paris, de 2015, vem sendo celebrada não somente por sua dimensão, mas também pela inclusão de grandes empresas no compromisso: marcas como Coca-Cola e Unilever, que utilizam toneladas de material plástico anualmente, se posicionaram em favor do pacto, pelo estabelecimento de regras gerais para a redução do tipo de poluição. Segundo a ONU, a produção de plástico saltou de 2 milhões de toneladas em 1950 para 460 milhões de toneladas em 2019, das quais somente 10% são recicladas, e 22% são lançadas em aterros sanitários.

Espen Barth Eide (à direita), presidente do PNUMA, Inger Andersen (ao centro), diretora executiva, e Keriako Tobiko, secretário de gabinete do ambiente do Quênia, aplaudindo a resolução

Espen Barth Eide (à direita), presidente do PNUMA, Inger Andersen (ao centro), diretora executiva, e Keriako Tobiko, secretário de gabinete do ambiente do Quênia, aplaudindo a resolução

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© fotos: Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente/reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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