Diversidade

‘Preto não existia. É diferente de hoje’: 5 momentos do Mano Brown no Podpah

Gabriela Rassy - 17/03/2022 às 09:55 | Atualizada em 21/03/2022 às 10:37

Mano Brown é uma figura que marca qualquer lugar por onde passa. Depois de se aventurar como entrevistador no podcast Mano a Mano, que recebeu Lula, Djamila Ribeiro, Gloria Groove, Taís Araújo e Lázaro Ramos, entre outras personalidades, agora ele volta ao lugar de entrevistado. Convidado pelo Podpah Podcast, ele falou sobre negritude, cena hip hop dos anos 80, futebol, entre muitos temas.

O programa de Igão e Mítico, que já tem uma audiência parruda, bateu pico de mais de 340 mil espectadores simultâneos durante a transmissão ao vivo. O episódio ultrapassou inclusive a conversa com o ex-presidente Lula para ganhar o posto de maior audiência simultânea entre todos os programas do tipo já transmitidos no YouTube Brasil.

Aulas cria

Brown sempre manda aquele papo reto responsa nas poucas entrevistas que concedeu ao longo de sua carreira. E nessa não foi diferente. Um dos momentos mais marcantes foi quando falava sobre os bailes de rap e funk que atraiam multidões nos anos 80.

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‘Preto não existe’. O Brasil era cheio dessas. É diferente de hoje. Então essa coisa de baile de negão, fingia que não existia. Era um puta mercado já na época. E quem enxergou isso foram aqueles caras da Zimbabwe, do Chic Show, do Back Mad, que descobriram que era um mercado, que era um público consumidor.

Naquela época, cantar rap era a coisa mais gostosa do mundo por que era a última coisa que você corria perigo. Era uma diversão. Viver era difícil, era perigoso.

A realidade deixava bem claro que a gente não era foda. Era bem diferente. A gente percebia. Feio, a roupa mais ou menos, tudo mais ou menos. A gente sabia que precisava adquirir recurso pra tropa.

Funk não rolava em São Paulo de jeito nenhum. Eu lembro quando chegou, eu fiz parte, eu ajudei. Por que essa coisa de uma arte cercear a outra não pode. O rap é a música da liberdade.

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Eu vim muito com o lance da cara feia, da gíria. (…) As pessoas criaram um personagem em volta de mim. De um cara burro, ignorante, que fala coisas loucas, que não têm pé nem cabeça. Olha os personagens que fazem do Brown por aí. Qual é a chave? Falar besteira, falar errado. Por que na verdade é o Brown, mas não é o Brown. São todos os Brown, que vêm de baixo cheio de querer. Um cara mulato, que veio da periferia. O único lugar que tem para você é ser um cara burro ou engraçado. Eu não sou nenhum dos dois.

Para fechar, Brown ainda disse que esse ano sai um novo álbum e uma nova temporada do podcast Mano a Mano. E a gente fica feliz com cada um deles. Vem com tudo!

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Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

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