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Qual o papel da Agência Internacional de Energia Atômica para impedir um desastre nuclear?

Roanna Azevedo - 11/03/2022 às 10:28

Na última sexta-feira (4), uma reunião de emergência foi convocada pelo Conselho de Segurança da ONU depois que a usina nuclear de Zaporizhzhia, na Ucrânia, foi afetada por um incêndio. O fogo foi controlado, mas, desde então, o mundo voltou a temer um possível desastre nuclear como consequência da invasão russa ao país. Pensando nisso, como a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) poderia evitá-lo?

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Incêndio na usina de Zaporizhzhia causado por ataque das tropas russas na Ucrânia.

Após esclarecer o ocorrido em Zaporizhzhia durante a reunião de emergência, Rafael Mariano Grossi, diretor-geral da AIEA e embaixador argentino, concedeu uma entrevista para a BBC News Brasil e afirmou que o risco de acontecer um acidente nuclear existe. Em nome da AIEA, ele se ofereceu para atuar como mediador entre Rússia e Ucrânia e evitar um possível desastre.

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Rafael Mariano Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Grossi contou que pretende negociar o mais rápido possível com as duas nações e garantir que ambas as partes cheguem a um acordo. É necessário que a segurança das instalações nucleares esteja assegurada no ajuste. Isso significa que a refrigeração das usinas precisa funcionar perfeitamente para impedir o vazamento de radiação, caso não haja eletricidade. o que acontece em Chernobyl no momento.

É exatamente isso que acontece em Chernobyl no momento. A Energoatom, empresa que administra alguns reatores nucleares da Ucrânia, informou que a usina está sem energia após as linhas de transmissão serem atacadas pela Rússia. Mas, segundo a AIEA, não há grandes riscos de emissão de radiação. Grossi também afirmou que “as forças no controle do local” precisam facilitar “a rotação segura dos funcionários”.

Usina nuclear de Chernobyl, Ucrânia.

O diretor-geral da AIEA é otimista sobre a consolidação de um acordo entre Rússia e Ucrânia. “A minha expectativa é que dois grandes países nucleares, que têm uma estrutura, uma tradição, uma cultura de usos pacíficos de energia nuclear, vão avançar com o sentido de responsabilidade. A agência é o instrumento adequado para facilitar esse ponto de encontro entre dois países em guerra”, concluiu.

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Foto 1: Reprodução/BBC

Foto 2: D. Calma/AIEA

Foto 3: REUTERS/Gleb Garanich


Roanna Azevedo
Diretamente da zona norte do Rio, é jornalista por profissão e curiosa por conta própria. Ama escrever sobre cinema e o universo do entretenimento há mais de dois anos. Tem paixão por tudo que envolve cultura, música, arte e comportamento, além de ficar sempre ligada no que rola no mundinho da comunicação nas redes sociais.

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