Design

Reconstruções virtuais de edifícios arqueológicos revelam detalhes do passado que não conhecemos

Vitor Paiva - 17/03/2022 às 09:55 | Atualizada em 21/03/2022 às 10:37

Visitar as ruínas de antigas construções nos permite viajar milhares e milhares de anos em imaginação até tais civilizações, e nos imaginarmos caminhando e vivendo, por exemplo, nas cidades do antigo Império Romano, na Grécia ou no Egito Antigo: mas como de fato eram tais edifícios, antes de serem destruídos pelo tempo ou pela ação humana? Quais eram os detalhes, as dimensões, cores e estilos dessas construções quando estavam perfeitamente de pé, como parte do dia a dia desses povos – quando ainda não eram ruínas? Tais perguntas parecem impossíveis, mas são devidamente respondidas pelo trabalho do designer húngaro Ádám Németh.

Anfiteatro de Éfeso

O Anfiteatro de Éfeso “reconstruído” por Németh em 3D

Anfiteatro de Éfeso

As ruínas do Anfiteatro hoje

-Como seriam estes monumentos históricos se tivessem sobrevivido ao tempo?

O artista gráfico é especialista em 3D e há mais de dez anos trabalha “reconstruindo” digitalmente os antigos locais em suas formas originais para diversos museus, exposições e publicações internacionais. “Minhas renderizações arqueológicas correspondem precisamente à época, através de extensa pesquisa por referências e resenhas em fontes encontradas online, em livrarias e em museus, e ainda através de trocas com arqueólogos”, comenta o designer, em seu site. “Eu costumo reunir e processar informações de forma independente, chego a conclusões e então apresento e debato minhas conclusões e os resultados relevantes”, revela, sobre seu processo de pesquisa e criação.

Ampla residência com diversos cômodos em Éfeso

Ampla residência com diversos cômodos em Éfeso

Ampla residência com diversos cômodos em Éfeso

Ruínas das residências em Éfeso

Ruas de Éfeso

As ruas da cidade repaginadas em 3D

Ruas de Éfeso

Parte das ruínas mostrando as ruas de Éfeso atualmente

-Com 3D e Inteligência Artificial ele mostrou como era de fato o rosto destas personagens históricas

Boa parte de suas reconstruções digitais é especialmente enfocada no período do Império Romano, e mais ainda sobre a antiga cidade grega de Éfeso, hoje parte da Turquia, durante o período em que era administrada por Roma, em cerca do século II antes da era comum. Era em Éfeso que se localizava o Templo de Ártemis, uma das sete maravilhas do mundo antigo, entre outras incríveis construções locais, como a Biblioteca de Celso e o Anfiteatro de Éfeso, capaz de receber até 25 mil espectadores durante o período – por muitos anos ao longo da ocupação romana, a cidade foi a segunda maior de todo império, atrás somente de Roma.

Templo de Ártemis, uma das sete maravilhas do mundo antigo

Templo de Ártemis, uma das sete maravilhas do mundo antigo

Templo de Ártemis, uma das sete maravilhas do mundo antigo

O local hoje onde ficava o Templo

Biblioteca de Celso

A Biblioteca de Celso em 3D

Biblioteca de Celso

As ruínas da fachada da biblioteca hoje

-Luz ultravioleta revela cores originais de estátuas gregas: bem diferente do que imaginávamos

Com 250 mil habitantes, no século I era a segunda maior cidade do mundo, mas no ano de 263, Éfeso foi tomada e destruída pela tribo germânica dos godos, e parcialmente destruída outra vez em 614, após um intenso terremoto na região. Desde 2015, suas integram a lista de Patrimônios da Humanidade determinada pela UNESCO, mas quem quiser chegar perto de como de fato era uma metrópole antiga – ou como seria entrar em uma máquina do tempo e voltar a esse incrível passado – deve “adentrar” o trabalho de Németh. “Meu objetivo principal, através das reconstruções, é fazer da história algo interessante e acessível para todos”, ele diz, diretamente de dentro do Templo de Ártemis.

Vista aérea de Éfeso

Vista aérea de Éfeso quando era a segunda maior cidade do Império Romano

Vista aérea de Éfeso

A mesma região vista do alto na atualidade

Reconstrução do Templo de Adriano, em Éfeso

Reconstrução do Templo de Adriano, em Éfeso

Ruínas atuais do Templo de Adriano

Ruínas atuais do Templo de Adriano

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© artes/fotos: Ádám Németh/site


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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