Debate

Refugiados sírios sofrem com fome e depressão e perdem direito de permanecer na Dinamarca

Roanna Azevedo - 14/03/2022 às 10:09 | Atualizada em 16/03/2022 às 10:52

Após receber mais de 30 mil refugiados sírios em 2015, a Dinamarca tem tornado a vivência e estadia deles dentro de seu território cada dia mais complicada. A partir de 2019 pelo menos, o governo do país envia cartas para exilados que vivem na região de Damasco afirmando que suas autorizações de residência serão reavaliadas como estado de asilo temporário.

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Desde então, mais de 100 refugiados sírios tiveram o direito de residir na Dinamarca revogado, tornando sua permanência no país ilegal. De acordo com a lei, todos eles podem recorrer da decisão no tribunal de Copenhagen várias vezes por semana. Mas, quem esgota as vias legais, costuma ser enviado para abrigos e centros de deportação, onde têm sua liberdade altamente controlada.

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Refugiados da Síria em estação de trem em Copenhagen, Dinamarca

Outro detalhe deixa a situação ainda mais difícil. Como não possui relações diplomáticas com a Síria, a Dinamarca não pode deportar os refugiados. Isso faz com que diversos deles estejam presos a uma situação de limbo, enfrentando uma detenção indefinida diante da ameaça de deportação.

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É o caso de Haitham Kurdi, refugiado sírio de 61 anos que está morando em um centro de deportação há 6 meses após perder sua autorização de residência. Vivendo completamente sozinho, seus familiares contaram ao The New York Times que ele não consegue se alimentar direito, desenvolveu depressão e começou a falar sozinho.

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A Dinamarca se tornou a primeira nação europeia a decidir que sírios não merecem mais refúgio, apesar dos perigos que ainda correm em seu país. Especialistas em segurança e direitos humanos afirmam que existem grandes riscos de regressar enquanto o ditador Bashar al-Assad continua no poder. Quando retornam, muitos refugiados têm sido alvo de extorsões, tortura, violência sexual e desaparecimentos.

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Fotos: Getty Images


Roanna Azevedo
Diretamente da zona norte do Rio, é jornalista por profissão e curiosa por conta própria. Ama escrever sobre cinema e o universo do entretenimento há mais de dois anos. Tem paixão por tudo que envolve cultura, música, arte e comportamento, além de ficar sempre ligada no que rola no mundinho da comunicação nas redes sociais.

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