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Respect: 5 músicas que mostram a força e a potência de Aretha Franklin

Gabriela Rassy - 25/03/2022 às 10:37

R-e-s-p-e-c-t! A diva do R&B Aretha Franklin estourou quando deu uma reviravolta em sua carreira lançando o hit que pede por respeito. Depois de muita expectativa, finalmente o longa que conta sua trajetória chega ao Amazon Prime mostrando toda a força e potência deste ícone da música negra.

Aretha Franklin já era uma veterana na carreira musical, com nove álbuns lançados, quando nasceu o LP que lhe renderia o título de Rainha do Soul, em março de 1967. Dali em diante, as coisas nunca mais seriam as mesmas para ela – nem para a pretíssima música soul, que encontrou uma nova voz para embalar tanto os bailes quanto as lutas.

Filha do reverendo Clarence LaVaughn Franklin e da cantora e pianista gospel Barbara Siggers, Re – como ela chamada pela família – tinha apenas 14 anos quando lançou seu primeiro single, em 1956. Aclamada pelos fiéis pela voz madura, ela não teve sucesso com a faixa – e nem os nove álbuns que ela fez com a Columbia Records a partir de 1961.

Ela atingiu o Top 40 uma vez durante este período e por pouco tempo, quando “Rock-a-Bye Your Baby With a Dixie Melody” parou no número 37. Aos 24 anos, deixou a gravadora cheia de dívidas por seus discos que não saiam das prateleiras.

O sucesso veio mais tarde, com um novo álbum e gravadora, principalmente por conta do hit Respect, que nasceu de um cover de Otis Redding que Franklin reescreveu, reformulou e transformou em uma das maiores músicas de todos os tempos.

Essencialmente, Franklin transformou a música datada de Redding em um hino feminista e de direitos civis. “Não acho que seja ousado”, disse Franklin ao Detroit Free Press, em 2017, um ano antes de morrer. “Acho que é bastante natural que todos nós queiramos respeito – e deveríamos consegui-lo.” Essa exuberância desinibida é transportada para o resto do álbum, um dos maiores já feitos.

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Aretha Franklin em 5 músicas:

“I Never Loved a Man (The Way I Love You)”

A faixa se tornou o primeiro hit de Franklin que alcançou o Top 10 das paradas de álbuns de R&B  – onde permaneceu por 14 semanas. Depois de quase uma dúzia de anos e tantos álbuns, Franklin finalmente chegou lá. I Never Loved a Man the Way I Love You lhe rendeu também o segundo lugar no pop, a lançando como uma artista que ajudou a definir mais do que apenas um gênero, mas uma era.

“Respect”

A música-tema do longa foi o primeiro hit a chegar ao número 1 do topo da parada de R&B – mas I Never Loved a Man the Way I Love You repetiu o feito e também chegou ao topo! Muito mais que uma versão, a faixa era ao mesmo tempo mais firme e cativante do que a original de Otis Redding. Tudo se somou ainda à performance que mudou completamente o significado da música, de um homem exigindo fidelidade de sua esposa para uma demanda assertiva e corajosa por igualdade – que poderia ser aplicada aos direitos das mulheres ou ao poder negro.

Foi a responsável por iniciar uma nova era de consciência social na música soul. “A garota tirou essa música de mim”, observou Redding, sabiamente. “De agora em diante, pertence a ela.”

“You Make Me Feel Like A Natural Woman”

Escrita para Franklin por Wexler, Gerry Goffin e Carole King, a faixa foi gravada durante as frutíferas sessões que compuseram o álbum de destaque da cantora, mas não lançada como single e depois incluída em “Lady Soul”, de janeiro de 1968. Cinquenta anos depois, o excesso de familiaridade não diminuiu o impacto de sua performance: a maneira como ela muda do controle dos versos para a euforia do refrão ainda soa incrível.

“Drown in My Own Tears”

Mesmo para os padrões de Franklin, o vocal desta faixa é excepcional. Uma evocação de dor e miséria inconsolável que gradualmente ganha força até atingir um pico surpreendente de desespero três minutos depois, enquanto ela repetidamente lamenta a palavra “afogar” de uma maneira realmente arrepiante.

“Think”

Uma música que parece sobre gaslighting – abuso psicológico na qual informações são distorcidas ou manipuladas para fazer a vítima duvidar de sua própria memória e sanidade -, Think parece ter sua motivação em algo completamente diferente. Gravada uma semana depois que Franklin cantou no funeral de Martin Luther King, o grito repetido de “Liberdade!” e a exigência dos ouvintes de “se deixar ser livre” claramente teve outras ressonâncias, dando à música grande poder e impacto.

Jennifer Hudson como Aretha Franklin

Já se passaram 15 anos desde que Jennifer Hudson viu sua atuação impressionante em “Dreamgirls”, de Bill Condon, ganhar um Globo de Ouro, um Bafta e um prêmio do Screen Actors Guild a caminho de ganhar o Oscar de melhor atriz coadjuvante. Seu papel como backing vocal dos anos 1960, Effie White, marcou sua estréia no cinema.

Agora, a atriz volta a um papel que é mais uma vez um match perfeito com seu talento. No filme biográfico de Aretha Franklin, Jennifer pode finalmente ter uma nova obra capaz de rivalizar com o impacto das Dreamgirls.

O número de anos separando os papéis pode parecer enorme, mas, a atriz foi conectada a uma cinebiografia de Franklin  já em 2004. Esse foi o ano em que Hudson, recém-eliminada do American Idol, foi convidada para abrir um concerto da própria Aretha.

Mas foi depois de Dreamgirls que as conversas começaram a sério, com as aparições de Hudson em vários eventos de tributo a Franklin. A atriz ganhou o apoio da Rainha do Soul para o papel, e seu elenco foi oficialmente confirmado em 2018, pouco antes da morte da cantora, aos 76 anos.

Respect: A História de Aretha Franklin” estreia no dia 25 de março, no Amazon Prime Video. Se você ainda não é assinante, tem 30 dias grátis para experimentar e aproveitar esta e outras novidades do catálogo.

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Foto destaque externo: Getty Images
Foto interna: Reprodução/Respect


Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

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