Ciência

Retrospectiva sonora: os sons da Nasa descobrindo mais de 5 mil exoplanetas desde 1992

Vitor Paiva - 29/03/2022 às 08:44 | Atualizada em 01/04/2022 às 10:25

Para celebrar o marco histórico de 5.000 exoplanetas cientificamente confirmados identificados fora do Sistema Solar, a NASA transformou o feito em sons e música – e cada uma dessas descobertas em parte de uma composição. Apresentada como uma “sonorização dos Dados” em comunicado pela agência especial estadunidense, a peça musical foi lançada acompanhada de uma animação, ilustrando o aparecimento de cada um dos planetas encontrados ao longo dos últimos 30 anos, permitindo ao usuário que “escute o ritmo das descobertas”, e trazendo algumas informações adicionais sobre o marco histórico alcançado em março de 2022.

Representação artística de exoplanetas ao redor de uma estrela anã vermelha

Representação artística de exoplanetas ao redor de uma estrela anã vermelha

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Na animação, conforme surge cada exoplaneta confirmado desde 1992 – quando o primeiro foi descoberto – até hoje, um círculo aparece em sua posição no céu: o tamanho do círculo mostrado indica a dimensão relativa da órbita do planeta, e a cor informa qual método foi utilizado para cada descoberta – entre variações temporais, modulação orbital de brilho, astrometria e lentes gravitacionais como técnicas de identificação e confirmação. Da mesma forma, cada “mundo” descoberto representa uma nota musical, que surge de acordo com a passagem do tempo representada na animação nas últimas três décadas, determinando assim o próprio ritmo da peça musical “composta”.

As primeiras "notas" da música, a partir dos dois exoplanetas descobertos em 1992

As primeiras “notas” da música, a partir dos dois exoplanetas descobertos em 1992

O mapa atual, com 5.005 exoplanetas confirmados cientificamente pela NASA

O mapa atual, com 5.005 exoplanetas confirmados cientificamente pela NASA

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A ideia de “sonorização de dados” apresentada pelo trabalho sugere que cada detalhe mostrado na animação e na música representa efetivamente uma informação importante sobre o feito registrado – até mesmo o tom de cada nota e os intervalos da composição. Assim, para além do ritmo e da velocidade da peça, a melodia propriamente também desenha um conteúdo importante: a tonalidade das notas aponta o período orbital de cada planeta que surge na tela. Planetas que demoram mais para completar a volta ao redor de suas estrelas representam notas mais graves na composição, enquanto planetas que completam a órbita mais rapidamente “soam” em notas mais agudas na trilha da animação – lançada em um vídeo normal, compartilhado abaixo, e também em uma versão em 360 graus.

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Os primeiros exoplanetas foram descobertos pela NASA em janeiro de 1992, orbitando uma estrela de nêutron conhecidas como Pulsar, um tipo de “cadáver estelar” que gira rapidamente e pulsa em rajadas de milissegundos emitindo uma “radiação abrasadora”: a descoberta se deu através de um telescópio e foi confirmada pela medição de mudanças no tempo dos pulsos das emissões. Ao longo dos anos, a velocidade das novas descobertas foi crescendo vertiginosamente, como mostra a própria animação; em 2002 eram 71 exoplanetas descobertos, em 2012 eram 708, em 2014 eram cerca de 1700, em 2017 mais de 3500, no ano passado a lista chegou a 4500, até alcançar o marco histórico atual de 5.005 planetas encontrados fora do Sistema Solar – e assim chegar ao fim da peça musical da NASA, ao menos até a próxima descoberta.

Detalhe da versão em 360 graus da animação da NASA

Detalhe da versão em 360 graus da animação

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© fotos: NASA/reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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