Ciência

Telescópio da Nasa capta dados inéditos sobre nuvem de detritos que orbita Terra

Redação Hypeness - 30/03/2022 às 16:00

Objetos e detritos espaciais colidem em si o tempo todo. Esse fato pode causar somente a destruição ou acabar formando corpos celestes ainda maiores. Os cientistas da Nasa que investigam essas colisões através de telescópios de alta precisão, observaram recentemente uma enorme nuvem de detritos do tamanho de uma estrela, mas não qualquer uma.

A equipe de astrônomos começou a observar rotineiramente HD 166191, uma estrela de 10 milhões de anos semelhante ao nosso sol localizada a 388 anos-luz de distância, em 2015. Astronomicamente falando, ainda é uma estrela bastante jovem – considerando que nosso sol é 4,6 bilhões de anos.

Nessa idade, os chamados planetesimais geralmente se formam ao redor das estrelas. Esses aglomerados de poeira em órbita que sobraram da colisão que gerou a estrela se tornam corpos rochosos, não muito diferentes dos asteroides que sobraram da formação do nosso sistema solar. Planetesimais encontrados em torno de outras estrelas podem coletar material e aumentar de tamanho, eventualmente se transformando em planetas.

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Para essa missão, os astrônomos usaram o Telescópio Espacial Spitzer, lançado pela NASA em 2003 e continuou operando por dezesseis anos antes de ser finalmente desativado em 2019. Eles combinaram essa tecnologia com o conhecimento sobre o brilho e o tamanho da estrela para chegar a informações que ajudarão a testar teorias sobre como planetas são formados e como eles crescem. As descobertas foram publicadas no The Astrophysical Journal.

A maioria dos planetas rochosos, satélites e outros objetos celestes no sistema solar, incluindo a Lua e a Terra, foram formados por colisões massivas no início da história do sistema solar. Corpos terrestres acumulam mais material e aumentam de tamanho com essas colisões. Eles também podem se separar em muitos corpos menores dessa maneira.

O grupo de astrônomos, liderado por Kate Su, da Universidade do Arizona, começou a fazer observações da HD 166191 em 2015. Por volta do início da vida da estrela, a poeira que sobrou de sua formação se agrupou para formar os tais planetesimais.

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Depois que o gás que anteriormente preenchia o espaço entre esses objetos se dispersou, colisões catastróficas entre eles se tornaram mais frequentes. Embora os próprios planetesimais fossem pequenos demais para serem capturados pelo telescópio, suas colisões produzem grandes quantidades de poeira. Como um telescópio de luz infravermelha, o Spitzer era especialmente adequado para detectar a poeira e os detritos criados por essas colisões.

Em meados de 2018, o HD 166191 se tornou mais brilhante para o telescópio Spitzer, o que sugere um aumento na produção de detritos. Durante o tempo, o telescópio também detectou um trânsito, ou uma nuvem de detritos bloqueando a estrela.

O trabalho dos astrônomos sugere que esta nuvem é bastante alongada, com uma área mínima estimada em pelo menos três vezes a da estrela. No entanto, a quantidade de brilho infravermelho detectado provavelmente significa que apenas uma pequena porção da nuvem passou na frente da estrela e que os detritos deste evento podem até cobrir uma área cem vezes maior que a da estrela.

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Para produzir uma nuvem de detritos tão grande, os objetos na colisão devem ser do tamanho de planetas anões – como Ceres no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter, que tem cerca de 473 km de largura. O choque inicial teria gerado energia e calor suficientes para vaporizar parte do material e desencadear uma reação em cadeia de impactos entre os fragmentos da colisão e outros pequenos corpos no sistema. Esta pode ser a razão para a quantidade significativa de poeira capturada pelo Spitzer.

Nos meses seguintes, a nuvem de poeira começou a crescer em tamanho e ficou mais translúcida até 2019, quando a parte da nuvem que passava na frente da estrela não era mais visível. Mas, a essa altura, o sistema continha duas vezes mais poeira do que antes da nuvem ser detectada. Segundo os astrônomos, essa informação pode ajudar os cientistas a testar teorias sobre como os planetas terrestres se formam e crescem.

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Foto destaque: NASA/JPL-Caltech


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