Inspiração

A aviadora esquecida que veio antes de Amelia Earhart

Roanna Azevedo - 17/04/2022 às 20:43

Quando o assunto é mulheres pioneiras na aviação, Amelia Earhart, que fez história se tornando a primeira mulher a cruzar o oceano atlântico em 1932, é a que costuma ser mais citada. Mas o que muitas pessoas esquecem, ou até mesmo não sabem, é que uma outra aviadora americana foi a responsável por abrir as portas para ela vinte anos antes: a notável Harriet Quimby.

Mistério sobre o desaparecimento da aviadora Amelia Earhart pode chegar ao fim

Em 1912, Harriet Quimby se tornou a primeira mulher a sobrevoar com o Canal da Mancha.

Nascida em 1875 e filha de um fazendeiro, ela se mudou com a família para São Francisco, na Califórnia, durante a adolescência. Na época, sonhava em se tornar atriz e conseguiu um pequeno papel em um filme, além de fazer alguns trabalhos como modelo. Logo não demorou a perceber que se daria melhor atrás das câmeras, escrevendo.

O misterioso desaparecimento da primeira mulher a sobrevoar o Atlântico tem novas pistas

Foi então que, no início de 1900, Harriet começou a trabalhar em jornais locais da Costa Oeste do país. Tempos depois, quando se mudou para Nova York, iniciou a carreira de fotojornalista e crítica de teatro. Como jornalista, foi uma das primeiras da profissão a usar uma máquina de escrever. Dona de uma visão moderna e revolucionária para a época, ela tinha um estilo de vida diferente da maioria das mulheres que conhecia: morava em apartamento próprio e se sustentava sozinha.

Harriet Quimby e Matilde Moisant.

A vida de Harriet mudou quando ela foi selecionada para cobrir um torneio internacional de aviação em 1910. A então jornalista se apaixonou pelo esporte e conheceu Matilde Moisant, cuja família era dona de uma escola de pilotos em Long Island. As duas se tornaram melhores amigas.

Sob o pretexto de escrever um artigo, Harriet decidiu se matricular nas aulas de voo, se formando no curso apenas quatro meses depois. Em 1911, ela se tornou a primeira mulher a ganhar uma licença de piloto nos Estados Unidos. Matilde foi a segunda.

Pilota se tornou a mulher mais jovem a dar a volta ao mundo

Assim que tirou a licença, Harriet passou a competir em diversas corridas de avião por todo o país. A partir de então, começou a chamar a atenção da mídia, não apenas pelos seus feitos, mas também por seu estilo particular: voava vestindo um traje de cetim roxo, usando joias e botas de renda. Sua beleza clássica também lhe rendeu o apelido de “Boneca de Porcelana”.

Notícia sobre Harriet ter atravessado o Canal da Mancha.

Os pilotos masculinos não costumavam lidar com esse tipo de objetificação, mas Harriet decidiu usá-lo a seu favor. Aproveitando a popularidade, ela conseguiu ser convidada para participar de vários eventos. Escreveu sete roteiros para curtas-metragens, foi capa de diversas revistas e ainda se tornou garota propaganda do refrigerante de uva Vin Fizz.

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Em sua coluna no jornal, Harriet passou a incentivar mulheres a aprenderem a dirigir, consertarem carros e, é claro, a voarem. “Os pilotos do sexo masculino deram a impressão de que a aviação é um trabalho muito perigoso, algo que um mortal comum não deveria sonhar em tentar. Mas, quando vi como eles lidam com facilidade com suas máquinas, disse que podia voar. Voar é um esporte fino e digno para as mulheres, saudável e estimulante para a mente, e não há motivo para ter medo desde que se tenha cuidado”, escreveu em uma ocasião.

Em sua coluna do jornal, Harriet incentivava outras mulheres a serem piloto de avião.

Durante sua participação na posse do presidente Madero, na Cidade do México, em 1911, Harriet decidiu que iria atravessar o Canal da Mancha. Na época, isso era um feito legítimo da aviação e considerado muito perigoso pela ausência de tecnologias que auxiliassem sua conclusão. Gustav Hamil, colega e também piloto, chegou a se oferecer para voar no lugar dela usando o famoso macacão roxo e, assim, enganar a imprensa.

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Harriet não aceitou o pedido e encarou o desafio sem problemas, se tornando a primeira mulher a sobrevoar com sucesso o Canal da Mancha em 1912. Porém, a conquista não teve tanta repercussão na época devido ao naufrágio do navio Titanic, que aconteceu no dia anterior e ocupou todas as manchetes do país.

Em 1º de julho de 1912, a brilhante e breve carreira da aviadora chegava ao fim. Durante um voo do Encontro Anual de Aviação de Boston, em Massachusetts, sua aeronave sofreu uma pane inesperada, e ela foi arremessada do assento. Harriet Quimby morreu aos 37 anos de idade.

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Foto 1: Getty Images

Fotos 2, 3 e 4: Reprodução/Messy Nessy Chic


Roanna Azevedo
Diretamente da zona norte do Rio, é jornalista por profissão e curiosa por conta própria. Ama escrever sobre cinema e o universo do entretenimento há mais de dois anos. Tem paixão por tudo que envolve cultura, música, arte e comportamento, além de ficar sempre ligada no que rola no mundinho da comunicação nas redes sociais.

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