Inspiração

A história da repórter que descobriu irmã desconhecida na fila por transplante de medula

Vitor Paiva - 08/04/2022 às 10:28 | Atualizada em 11/04/2022 às 21:32

Diante da dura confirmação de que teria de se submeter a um transplante de medula por conta de um linfoma, a repórter Marina Alves recebeu uma boa notícia em dose dupla: enquanto se encontrava na fila para doação, descobriu não somente que uma doadora compatível havia sido encontrada, como que se tratava de sua irmã: uma irmã que ela simplesmente não sabia que existia. Jornalista da TV Verdes Mares, no Ceará, Marina foi diagnosticada com o câncer em 2021, e desde então passou por diversas sessões de quimioterapia enquanto aguardava para realizar o transplante: é raro encontrar um doador ou doadora compatível entre pessoas que não são da família do paciente.

A repórter Marina Alves passou por transplante de medula graças a irmã - que não sabia que existia

A repórter Marina Alves passou por transplante de medula graças a irmã – que não conhecia

-A tocante amizade entre Drica Moraes e seu doador de medula: ‘a gente se fala todo dia’

“No momento mais difícil da minha vida, enquanto procurava respostas para tudo que acontecia, Deus me presenteou da forma mais surpreendente possível”, ela disse, em texto. “Dentre milhares de pessoas cadastradas no mundo inteiro para doação de medula óssea, a única compatível comigo é minha irmã. Sim! Descobri aos 32 anos, durante a luta contra o câncer, que não sou filha única”, afirmou. Sua irmã e doadora se chama Lumara Sousa, é técnica de enfermagem, e é nesse ponto que a história se torna ainda mais incrível: ela atendeu Marina algumas vezes no hospital em que trabalha, no início do tratamento, simplesmente sem saber do parentesco.

As irmãs Lumara Sousa e Marina Alves

As irmãs Lumara Sousa e Marina Alves

-Ele encontrou seu grande amor e o rim que tanto precisava no Tinder

Lumara já seguia a repórter nas redes sociais, e após encontrá-la no hospital, decidiu se cadastrar no banco de doadores: quando os exames foram realizados para verificar a compatibilidade, a confirmação veio acompanhada da revelação do parentesco. “Apesar do tempo perdido a gente tem ficado bem próximas nesses dias, se falando obviamente mais por telefone, pelas redes sociais, porque como eu estou em tratamento preciso ter um cuidado maior. Mas assim, a gente já vem construindo uma relação bacana, bem forte, principalmente com a doação”, conta Marina, que realizou o transplante no último dia 5 de abril.

O diagnóstico da jornalista veio em 2021

O diagnóstico da jornalista veio em 2021

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A técnica de enfermagem afirmou que, apesar de terem passado 30 anos sem convívio ou mesmo conhecimento uma da outra, o que a move é o amor. “É amor de irmãs! Apesar da gente não ter tido um convívio durante todos esses anos, mas não há nada que daqui para frente a gente não recupere”, afirmou Lumara, que desde sempre ouvia comentários sobre a semelhança física com a jornalista. “Lumara, você trouxe luz para um momento sombrio e ajudou a resgatar a minha fé. Às vezes fecho os olhos e imagino o momento em que vamos, juntas, abraçar o nosso pai (que não vê a hora de te conhecer) e celebrar a sua chegada com toda a família. Esse é o maior tesouro da vida. Obrigada por existir”, conclui Marina – em uma história incrível que está apenas começando.

Marina declarou que uma parte de sua irmã a fez renascer, após a cirurgia

Marina declarou que uma parte de sua irmã a fez renascer, após a cirurgia

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© fotos: Instagram/reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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