Diversidade

‘BBB’: trajetória de Lina transcende reality, pauta diversidade e reforça qualidades da cantora e atriz

Redação Hypeness - 11/04/2022 às 12:50 | Atualizada em 03/05/2022 às 10:05

Neste domingo (10), o público eliminou Linn da Quebrada do “Big Brother Brasil 22”. A travesti foi a 12ª eliminada do programa, mas deixa um legado de representatividade imenso para a televisão brasileira e reforça seu carisma e seu sucesso que já eram dignos de reconhecimento dentro do mundo da música.

A multi-artista, cantora, artista e ativista social entrou no “BBB 22” e se tornou a segunda pessoa trans a ocupar a casa. Se em 2010 Ariadna saiu logo na primeira semana, Lina Pereira se provou e chegou a ser a menos votada da casa em um paredão.

Lina pereira sai do BBB com legado de amor, respeito e arte

Após conflitos dentro do jogo com o favorito Arthur Aguiar, que conta com uma torcida extremamente enérgica nas redes, Lina foi eliminada com 77% dos votos.

O discurso de Tadeu Schmidt não foi sobre os erros que Linn da Quebrada teve no jogo, mas celebrou a importância da sister na casa, com o público.

“Por sua causa, o Brasil inteiro sabe: não tem mais desculpa para errar o pronome. É ela. Por sua causa, Lina, não tem mais desculpa para errar o artigo. É a travesti. E é travesti e não alguma palavra pejorativa. Quem é capaz de medir o quanto esses erros mexeram com as pessoas aqui fora, o quanto definiram trajetórias aí dentro?”, disse Tadeu.

Trajetória longeva da travesti no reality mostra que representatividade importa

“Não foi só o Junior que você matou, Lina, você matou também um bocado de preconceitos. E para conseguir isso, Linn não teve que bradar. Ela apenas aceitou se expor, inteira, por inteiro, inteiramente. Não sei se vocês perceberam, mas hoje foi diferente. Hoje não teve suspense. Hoje era dia de dizer o que precisava ser dito. Quem sai hoje é você, Lina”, completou o apresentador.

Dentro do reality, Lina se preocupava em não ter torcida e não ser amada. E ela é. “Ser uma travesti e ter conseguido avançar esses 85 dias na casa e sentir que eu estou sendo amada não tem preço. É possível amar uma pessoa como eu. É preciso amar pessoas trans”, disse ela eme entrevista à apresentadora Ana Maria Braga.

Lina também comentou o fato de Elza Soares, que faleceu em janeiro desse ano, ter torcido por ela. “Isso já me faz sentir campeã”, disse.

Relembrando a trajetória de Lina Pereira

Lina Pereira impactou BBB logo na sua chegada ao programa

A travesti chegou ao reality três dias depois outros participantes depois de ter testado positivo para covid-19. Lina chegou utilizando uma camiseta que mostra a escravizada Anastácia livre e sorrindo, ressignificando uma das imagens mais simbólicas da escravidão no país.

E, para se apresentar aos participantes do BBB 22, Lina fez um lindo discurso:

A travesti também aproveitou o reality para celebrar a diversidade, beijando Maria nas festas:

Uma parte triste do programa foi a frequente postura transfóbica de alguns participantes, que por diversas erraram propositalmente o pronome da travesti. Mas seu discurso e sua postura foram simultaneamente delicados e assertivos frente à questão:

Dentro e fora do programa

Lina já tinha uma célebre trajetória artística na música e na televisão. Ambos os seus discos – Pajubá e Travalínguas – foram aclamados pela crítica e ganharam prêmios por lírica e musicalidade vanguardistas.

Sua carreira no audiovisual também deve ser impulsionada; Lina é a estrela do documentário “Bixa Travesty”,  atuou no filme “Vale Night”, e nas séries “Segunda Chamada” e “Manhãs de Setembro”. Além disso, ela apresenta junto de Jup do Bairro o programa da entrevistas “TransMissão”. Agora, ela soma 2,9 milhões de seguidores no Instagram.

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Fotos:  Reprodução/Globoplay


Redação Hypeness
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