Inspiração

Carnaval: o que esperar dos desfiles na Sapucaí e no Anhembi

Roanna Azevedo - 08/04/2022 às 10:18

Em janeiro de 2022, Eduardo Paes (PSD) e Ricardo Nunes (MDB), prefeitos do Rio de Janeiro e de São Paulo, respectivamente, adiaram os desfiles das escolas de samba das duas cidades para os dias 22 e 23 de abril. O rearranjo de datas se deu por conta do aumento dos casos de Covid-19 no Brasil, mais precisamente da variante ômicron. Após meses de espera e preparação, finalmente está quase na hora de reconquistar a avenida e o Carnaval.

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Os desfiles de 2022 foram adiados por causa da variante ômicron da Covid-19.

Com um pouco mais de tempo para terminarem os preparativos, devido ao atraso, a maioria das escolas de samba já estão com seus galpões quase vazios. As fantasias e adereços já estão praticamente prontos, passando apenas pela fase de “perfumaria”, que é a de pequenos ajustes e arremate.

Ao contrário do que acontecia nos outros anos, as escolas irão passar pela Sapucaí e pelo Anhembi nos mesmos dias e horários. Para que todos os desfiles fossem contemplados de alguma forma, houve mudanças na transmissão. O Grupo Especial de São Paulo será transmitido apenas para o estado paulista, enquanto o do Rio de Janeiro será transmitido para o Rio e o resto do Brasil.

Abaixo, reunimos as principais informações sobre cada desfile e o que esperar da volta oficial da festa popular mais famosa do país.

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Quando acontecem os desfiles?

Os desfiles de 2022 serão nos dias 22 e 23 de abril, uma sexta-feira e um sábado respectivamente, e devem começar por volta das 22h. Já o Desfile das Campeãs, tanto no Rio quanto em São Paulo, está marcado para 30 de abril.

Ordem dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro

Desfile da Viradouro em 2020, a campeã do Carnaval carioca daquele ano.

22 de abril, sexta-feira:
1) Imperatriz Leopoldinense
2) Mangueira
3) Salgueiro
4) São Clemente
5) Viradouro
6) Beija-Flor

23 de abril, sábado:
1) Paraíso do Tuiuti
2) Portela
3) Mocidade Independente de Padre Miguel
4) Unidos da Tijuca
5) Grande Rio
6) Vila Isabel

Ordem dos desfiles das escolas de samba de São Paulo

Os desfiles na Sapucaí e no Anhembi vão acontecer ao mesmo tempo nos dias 22 e 23 de abril.

22 de abril, sexta-feira:
1) Acadêmicos do Tucuruvi
2) Colorado do Brás
3) Mancha Verde
4) Tom Maior
5) Unidos de Vila Maria
6) Acadêmicos do Tatuapé
7) Dragões da Real

23 de abril, sábado:
1) Vai-Vai
2) Gaviões da Fiel
3) Mocidade Alegre
4) Águia de Ouro
5) Barroca Zona Sul
6) Rosas de Ouro
7) Império de Casa Verde

Quais os enredos das escolas de samba do Rio de Janeiro?

Imperatriz Leopoldinense: O carnavalesco Arlindo Rodrigues, responsável por conquistar o primeiro título da escola, em 1980. Além dos principais enredos desenvolvidos por ele, “Meninos eu vivi… Onde canta o sabiá, Onde cantam Dalva & Lamartine” ainda vai relembrar um pouco de seu trabalho na televisão e no teatro.

Mangueira: O cantor e compositor Cartola, o intérprete de samba-enredo Jamelão e o mestre-sala Delegado, três dos maiores ícones da Estação Primeira. “Angenor, José & Laurindo” vai relembrar a história de cada um deles, desde suas origens.

O cantor e compositor Cartola.

Salgueiro: Batizado de “Resistência”, o enredo vai falar sobre pontos importantes do Rio de Janeiro que entraram para a história como lugares marcados pela cultura negra.

São Clemente: O ator e humorista Paulo Gustavo, que faleceu em maio de 2021. “Minha vida é uma peça” vai contar a história do artista e relembrar seus principais trabalhos e personagens.

Viradouro: O primeiro carnaval depois da pandemia de gripe espanhola em 1919. “Não há tristeza que possa suportar tanta alegria” também fará um paralelo entre essa doença e a Covid-19.

Beija-Flor: A história pelo viés do povo preto. “Empretecer o pensamento é ouvir da voz da Beija-Flor” vai resgatar personagens negros, até mesmo da própria escola, e a importância de seus trabalhos e conquistas do apagamento realizado pela colonização europeia.

Paraíso do Tuiuti: A contribuição histórica de pessoas negras no passado, no presente e no futuro. “Ka ríba tí ÿe — Que nossos caminhos se abram” vai exaltar grandes ícones da negritude e destacar o valor de desconstruir estereótipos e romper barreiras.

Como os desfiles atrasaram, muitas escolas já terminaram seus preparativos.

Portela: A história do baobá, árvore considerada sagrada de origem africana. “Igi Osè – Baobá” vai abordar o misticismo e os significados por trás da planta, sinônimo de sabedoria, sobrevivência e ancestralidade.

Mocidade Independente de Padre Miguel: O orixá Oxóssi. “Batuque ao Caçador” também vai homenagear pessoas importantes para a história da escola.

Unidos da Tijuca: A história do guaraná e sua importância para os povos da floresta. “Waranã – A reexistência vermelha” vai exaltar a tradição e a resistência indígenas.

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Grande Rio: O orixá Exú. “Fala, Majeté! As sete chaves de Exu” tem a intenção de desmistificar a imagem negativa que o mundo ocidental tem da entidade, mostrando que ela é sinônimo de livramento e prosperidade.

Vila Isabel: O cantor e compositor Martinho da Vila. “Canta, canta minha gente! A Vila é de Martinho!” vai contar a história do artista, uma das figuras mais importantes da história da escola.

Quais os enredos das escolas de samba de São Paulo?

Acadêmicos do Tucuruvi: O passado, o presente e o futuro do Carnaval. “Carnavais…De lá pra cá o que mudou? Daqui pra lá o que será?” vai falar sobre as origens, características atuais e próximos rumos da principal festa popular do Brasil.

Colorado do Brás: A escritora, poetisa e compositora Carolina Maria de Jesus. Em “Carolina: A Cinderela Negra do Canindé”, a escola vai contar a história de um dos maiores nomes da literatura do país, símbolo de luta e resistência.

A autora Carolina Maria de Jesus.

Mancha Verde: A importância da água para o ser humano. Chamado de “Planeta Água”, o enredo deseja conscientizar as pessoas sobre o uso e o consumo responsável do recurso natural.

Tom Maior: A história do autor Antoine de Saint-Exupéry tendo o nordeste brasileiro como cenário. “O Pequeno Príncipe do Sertão” vai transportar o escritor para a região e relembrar sua infância e seus personagens mais marcantes. Enquanto isso, o folclore nordestino será usado como pano de fundo.

Unidos de Vila Maria: A solidariedade e a união como soluções para os problemas da humanidade. “O Mundo Precisa de Cada Um de Nós. A Vila É Porta-Voz” cai propor uma reflexão sobre a importância de prezar pelo coletivo na sociedade. O enredo é inspirado em um projeto social da própria escola: Vila Maria, Um Caso de Amor.

Acadêmicos do Tatuapé: A história do café no Brasil. “Preto Velho. Conta a saga do café num canto de fé” vai falar sobre o grão, desde o período escravocrata, a partir do viés da entidade da umbanda, conhecida na religião por ser um contador de histórias.

Dragões da Real: O cantor e compositor Adoniran Barbosa. O enredo “Adoniran” vai contar detalhes sobre a história do artista, conhecido como o pai do samba de São Paulo.

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Vai-Vai: A cultura da “Mãe África”. Em “Sankofa”, nome de um pássaro sagrado africano, a escola vai resgatar a memória de homens e mulheres do continente que tiveram suas histórias interrompidas pela escravidão. O objetivo é conectar a África com seus descendentes.

Gaviões da Fiel: A situação político-social atual do Brasil. Com o enredo “Basta!”, a escola vai criticar o racismo, o machismo e os demais tipos de preconceito, além das desigualdades, no país. O desejo é exaltar a força do povo.

Mocidade Alegre: A sambista Clementina de Jesus. “Quelémentina cadê você?” vai homenagear a história da cantora, que, através de sua arte, ajudou a popularizar o samba.

A sambista Clementina de Jesus.

Águia de Ouro: O orixá Oxalá. “Afoxé de Oxalá – No ‘Cortejo de Babá’, Um Canto de Luz em Tempo de Trevas” vai contar a história da entidade, responsável pela criação do mundo, e exaltar valores como a igualdade, o respeito e a fé.

Barroca Zona Sul: A história de Zé Pilintra. Em “A evolução está na sua fé… Saravá Seu Zé!”, a escola vai homenagear o guia espiritual que é respeitado como entidade na umbanda e em outras religiões.

Rosas de Ouro: O que é a cura. “Sanitatem” vai abordar a pandemia de Covid-19 para refletir sobre amor, esperança e o significado por trás do ato de curar para a humanidade.

Império de Casa Verde: A história da comunicação. “O poder da comunicação – Império, o mensageiro das emoções” terá o influenciador digital e humorista Carlinhos Maia como principal homenageado.

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Foto 1: Reprodução/Globo.com

Fotos 2 e 5: Fernando Grilli/Riotur

Foto 3: Divulgação/Rafael Neddermeyer/LIGASP/Fotos Públicas


Foto 4: Ivan Kligen

Foto 6: UFRJ/Divulgação

Foto 7: Lewy Moraes/Folhapress


Roanna Azevedo
Diretamente da zona norte do Rio, é jornalista por profissão e curiosa por conta própria. Ama escrever sobre cinema e o universo do entretenimento há mais de dois anos. Tem paixão por tudo que envolve cultura, música, arte e comportamento, além de ficar sempre ligada no que rola no mundinho da comunicação nas redes sociais.

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