Debate

Carnaval: o que se sabe sobre os desfiles dos blocos de rua em SP

Gabriela Rassy - 14/04/2022 às 12:15

O Carnaval no sambódromo de São Paulo deve acontecer normalmente no feriado de Tiradentes, em 21 de abril, mas a prefeitura descarta a possibilidade de liberar os desfiles dos blocos de rua da cidade. A justificativa não é mais a covid-19, mas a falta de tempo para oferecer infraestrutura e segurança para os foliões. Organizadores de ao menos 50 blocos dizem que vão desfilar e pedem apenas para não serem reprimidos por forças policiais da PM e da GCM.

Nesta quinta (13), a Bancada Feminista do Psol protocolou um projeto de lei para a criação da Frente Parlamentar Em Defesa do Carnaval de Rua na Câmara Municipal de São Paulo. “Do mesmo jeito que a gente está debatendo a importância de que os blocos de rua possam sair no feriado do dia 21, assim vai acontecer com as escolas de samba no sambódromo e com os grandes blocos no Vale do Anhangabaú, a gente quer fazer com que o debate do Carnaval de rua, a sua importância para a cultura popular, a sua importância pra juventude negra e periférica seja um debate permanente”, disse a pré-candidata a CoDeputada Estadual, Paula Nunes, em comunicado.

Bloco Tarado Ni Você

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O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), disse que a data ideal para os cortejos seria em setembro. “Se for setembro, está fechado! Eu vou ter tempo de soltar o edital, pode ser junho… [mas] não no Corpus Christi. Nós não vamos misturar o carnaval de rua com o Corpus Christi, a gente precisa respeitar e também essa necessidade de infraestrutura que a prefeitura precisa ter com o feriado de Corpus Christi na cidade. O ideal é que a gente faça esse evento junto com algum outro feriado que não gere essa movimentação na cidade”, declarou em entrevista à GloboNews na segunda (11).

O Carnaval de rua foi cancelado, tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Olinda, no início de janeiro, diante do aumento de casos de pessoas infectadas pela variante ômicron do coronavírus. Porém, os desfiles das escolas de samba no sambódromo do Anhembi e na Marquês de Sapucaí foram apenas adiados para o feriado, entre 20 e 23 de abril, com apuração dia 26 e desfile das campeãs dia 30.

Depois de um Carnaval oficial marcado pela privatização das comemorações e encontros de blocos, tanto foliões quanto organizadores dos blocos esperam a liberação para sairem às ruas de forma livre e democrática.

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O impasse entre a Prefeitura de São Paulo e os organizadores de blocos de rua segue. Mesmo sem o apoio da gestão municipal, pelo menos 50 blocos pequenos anunciaram que devem fazer seus desfiles pelas ruas da cidade, com músicos e foliões tocando sem estrutura de trio elétrico. Já os blocos maiores, que ocupam grandes avenidas da cidade com multidões, aguardam a definição de outra data.

“Eu não vou impedir ninguém de ir pra rua. Sou o defensor da expressão cultural, da democracia. Eu vou continuar fazendo um apelo: tenham responsabilidade. A gente não pode colocar as pessoas em risco, e eu não tenho tempo pra organizar uma infraestrutura do tamanho que é necessário”, disse Nunes nesta segunda, dia 11, na entrevista à GloboNews.

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Em nota assinada pelo deputado Emidio de Souza (PT), que fala em nome de seis coletivos que reúnem 420 blocos de Carnaval, o grupo pede apenas que observem o “direito constitucional à reunião, à livre expressão e ao uso dos espaços públicos pela cidadania” e garantam que “não haverá uso das forças da PM e da GCM na dispersão dos blocos”.

No feriado oficial de Carnaval, em fevereiro, blocos menores saíram às ruas do Rio de Janeiro sem problemas, mesmo com a presença da polícia em diversos pontos. No pré-Carnaval existiu repressão nos cortejos da cidade. Já em São Paulo, a repressão foi maior, forçando a maioria dos grupos a permanecerem tocando parados, sem cortejos caminhando pelas ruas.

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Fotos: Getty Images


Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

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