Arte

Dupla de irmão gêmeos holandeses reconstrói precisamente a aparência dos primeiros humanos

Vitor Paiva - 29/04/2022 às 09:34 | Atualizada em 03/05/2022 às 09:59

O trabalho dos irmãos holandeses Adrie e Alfons Kennis consiste essencialmente em voltar no tempo, para responder a algumas das mais complexas perguntas da história da humanidade – desde literalmente o início dessa história: como eram, afinal, nossos antepassados? Não estamos, é claro, falando de avós ou bisavós, mas sim de espécies que antecederam a homo sapiens que hoje somos: gêmeos idênticos, os Irmãos Kennis – que assinam Kennis & Kennis – buscam justamente as semelhanças e diferenças entre os seres humanos atuais e as espécies que vieram antes no caminho evolutivo, como Australopithecus, Neandertais, Homo Erectus e mais, criando modelos perfeitos com base em argila, a partir de ossadas, crânios e recriações digitais em 3D.

Detalhe da reconstrução do neandertal de Djebel Irhoud

Detalhe da reconstrução do neandertal de Djebel Irhoud

Os irmãos Kennis

Os irmãos Kennis

-Ciência reconstrói rosto de Neandertal de 50 mil anos encontrado na Holanda

Uma das mais incríveis reconstruções criadas pelos irmãos foi feita baseada em fósseis encontrados no sítio arqueológico de Djebel Irhoud, no Marrocos: um casal de neandertais em corpo inteiro e tamanho real, expostas no Moesgaard Museum, na Dinamarca, que apresenta semblante tão perfeito e detalhado que é difícil não crer se tratar de uma pessoas vivas hoje. A dupla, no entanto, viveu há 300 mil anos, e só pôde “reaparecer” no mundo de hoje a partir do trabalho dos irmãos, que combinam seus talentos artísticos aos conhecimentos arqueológicos, trazidos por especialistas dos museus para onde oferecem seus serviços.

As reconstruções muitas vezes são em corpo inteiro, tamanho real, e semelhança irretocável

As reconstruções muitas vezes são em corpo inteiro, tamanho real, e semelhança irretocável

-‘Lucy’, ancestral do ser humano, tem aparência recriada sem influências racistas ou estereotipadas

“Os modelos são baseados nas melhores e mais específicas evidências científicas já reunidas. Quando as pessoas ficam frente-a-frente com neandertais e Cro-Magnons, elas chegam o mais próximo de um encontro real. Seus rostos estão realmente vivos”, afirmou o professor Chris Stringer, do tradicional Museu de História Natural de Londres. “Os cientistas trazem o conhecimento e nós criamos os personagens, mas não queremos fazer o cliché dos homens das cavernas”, disse Adrie. “A forma como uma pessoa fica em pé diz muito sobre ele, e nós mostramos os seres fazendo coisas casuais, não com uma lança em uma pose de caça”, afirmou Alfons.

O processo começa com sobreposição de camadas de argila sobre molde do crânio

O processo começa com sobreposição de camadas de argila sobre molde do crânio

Cada detalhe é baseado em informação científica

Cada detalhe é baseado em informação científica

-Cientistas descobrem genoma mais antigo de humanos modernos em análise de crânio

Os irmãos se referem ao trabalho de reconstrução de mamíferos extintos e dos primeiros humanos modernos como “Paleoarte”, a partir de camadas e camadas de argila sobre réplicas de esqueletos e músculos. “Quando relíquias humanas são descobertas, as pessoas querem saber como era a aparência daquele indivíduo, e nós reconstruímos utilizando métodos forenses”, diz Alfons, explicando que a diferença entre o trabalho deles e de outras reconstruções forenses é que eles trabalham com casos realmente muito antigos.

Os irmãos diante de outra recriação que assinam

Os irmãos diante de outra recriação que assinam

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© fotos: Kennis & Kennis/reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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