Arte

EUA devolvem para Líbia obras roubadas com mais de 2 mil anos e que estavam expostas em NY

Vitor Paiva - 14/04/2022 às 09:42

Um grupo de estátuas, esculturas e artefatos de mais de 2,4 mil anos que havia sido roubado e contrabandeado ilegalmente provavelmente em meados dos anos 90, foi devolvida à Líbia pelos EUA após um longo esforço judicial.

As peças, datadas do século 4 antes da era comum e vindas da cidade de Cirene, antiga colônia grega localizada atualmente na costa mediterrânea libanesa, estavam expostas no Metropolitan Museum of Art, um dos maiores e mais visitados de todo o mundo, em Nova York desde 1998. A devolução foi confirmada e comemorada pela embaixada do país africano no dia 31 de março.

A escultura de uma cabeça de mulher coberta por um véu, devolvida pelos EUA para a Líbia

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Entre as peças devolvidas, destaca-se a escultura em estilo helênico que mostra a cabeça de uma mulher coberta parcialmente por um véu: com seguro de 470 mil dólares e datada de cerca do ano de 350 antes da era comum, a obra estava emprestada ao Museu Metropolitan desde 1998, e foi retirada da exposição em fevereiro, por conta das investigações.

De acordo com o processo, a escultura chegou ao mercado ilegal em 1997, mas a identidade do mediador nem os detalhes da chegada da obra ao museu foram revelados pelas autoridades.

Outra escultura devolvida, de um homem de barba, estava exposta no museu desde 1998

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Outra escultura devolvida, mostrando o busto de um homem barbado, com seguro avaliado em 30 mil dólares e, segundo a investigação, circulava há décadas no mercado de contrabandos.

“Apesar de terem entrado de forma ilegal nos EUA, os esforços legais conseguiram devolvê-las ao seu país de origem”, afirmou o comunicado da embaixada libanesa. As peças foram recebidas em cerimônia por autoridades em Tripoli, capital da Líbia, e entrarão em exibição em museus locais: a devolução é parte do esforço das autoridades libanesas para preservar as relíquias e memórias ancestrais, apesar dos anos de guerra e turbulências políticas e econômicas que assolam o país.

O sítio arqueológico da cidade de Cirene, na Líbia, que no passado fazia parte da Grécia

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Em comunicado, o Metropolitan afirmou que o museu “vem oferecendo apoio completo às investigações da promotoria de Manhattan e à devolução dos objetos à Líbia”.

Fundada em 630 antes da era comum para se tornar a mais importante das cidades gregas da região, Cirene é reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Mundial, e fez parte, além da Grécia, do Império Ptolemaico e romano, e sua ruínas se encontram na região da cidade moderna de Xaate, na Líbia.

Desde o fim dos anos 1970, o local é cenário de furtos e intensa pilhagem de artefatos e obras de arte antigas, para serem revendidas em mercados ilegais.

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© fotos 1, 2: Promotoria de Manhattan/cortesia

© foto 3: Wikimedia Commons


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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