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‘Exército particular de Putin’: os mercenários russos acusados pelo Reino Unido de combater na Ucrânia

Vitor Paiva - 04/04/2022 às 10:27 | Atualizada em 04/04/2022 às 11:30

Um grupo de mercenários da empresa militar privada russa Grupo Wagner estaria realizando operações de combate ao leste da Ucrânia: apelidados de “exército particular de Putin”, o grupo é formado por indivíduos fortemente armados e treinados para o combate, e a notícia foi divulgada pela inteligência militar britânica.

“Eles devem enviar mais de mil mercenários, incluindo líderes sêniores da organização, para realizar operações de combate”, afirmou o Ministério da Defesa do Reino Unido, contrariando a informação oficial do governo russo de que nenhuma atividade militar está sendo realizada na região.

Foto divulgada pelo Serviço de Segurança da Ucrânia supostamente mostrando o Grupo atuando no país

Foto divulgada pelo Serviço de Segurança da Ucrânia supostamente mostrando o Grupo no país

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A empresa tornou-se notícia no passado por ter sido contratada pela Rússia para lutar ao lado de grupos separatistas pró-russos no leste da Ucrânia em 2014, quando a Criméia foi anexada, e em 2015, durante a intervenção russa na guerra da Síria, em suporte ao presidente Bashar Al-Assad.

Há suspeitas da presença dos mercenários do Grupo Wagner sob comando russo também na Líbia, na República Centro-Africana, no Sudão, em Moçambique e na Venezuela, mas sem provas efetivas e todas devidamente negadas por Moscou, que também nega a suposta atividade atual no leste da Ucrânia – os combatentes profissionais, porém, teriam sido vistos entre rebeldes de oposição ao governo ucraniano na região.

Mercenários oferecendo segurança ao presidente da República

Mercenários ligados ao grupo oferecendo segurança ao presidente da República Centro-Africana

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As informações oficiais sobre o Grupo Wagner são escassas, mas, segundo informações da a agência de notícias estatal russa Tass, a empresa é comandada por Dmitri Utkin, um ex-oficial do exército russo e que possui experiência em inteligência militar.

De acordo com o jornal “The Economist”, Utkin tem tatuagens com símbolos nazistas, e o nome do grupo seria em homenagem ao compositor alemão Richard Wagner, que defendia ideias antissemitas e era adorado por Adolf Hitler. Financeiramente, segundo a imprensa internacional, o grupo é comandado por Yevgueni Prigozhin, empresário próximo a Putin e visto como bastante influente dentro do Kremlin.

Reunião de supostos diretores do Grupo com Putin:

Reunião de supostos diretores do Grupo com Putin, em 2016: Dmitri Utkin é o último à direita

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A controvérsia sobre as atividades do grupo sob ordens do governo russo se agrava diante do fato de que empresas militares privadas são proibidas no país – legalmente, portanto, o Grupo Wagner não pode existir na Rússia.

A contratação da empresa, que, segundo o “The Economist”, recebe informações e equipamento diretamente do exército, permite que Putin atue em certas áreas do conflito de forma não-oficial, já que os combatentes não são ligados ao estado: o envio dos mercenários ao leste ucraniano seria para suprir a perda de tropas russas na região.

Insígnia do Grupo Wagner

Insígnia do Grupo Wagner

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© foto 1: SBU/Serviço de Segurança da Ucrânia/reprodução

© fotos 2, 3, 4: Wikimedia Commons


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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