Debate

Forças Armadas: Viagra, remédio pra calvície e milhões gastos com próteses penianas

Vitor Paiva - 19/04/2022 às 08:20 | Atualizada em 25/04/2022 às 10:56

Após denúncias de gastos indevidos pelo Exército brasileiro com milhares de comprimidos de Viagra e de remédios para calvície, o deputado federal Elias Vaz (PSB-GO) acusou recentemente um gasto de R$ 3,5 milhões pelas Forças Armadas em próteses penianas infláveis.

“Depois de denunciar que o governo Bolsonaro aprovou a compra de 35 mil Viagras para as Forças Armadas, identifiquei gasto MILIONÁRIO com próteses penianas para o Exército”, revelou o deputado, em postagem publicada em seu perfil no Twitter.

De acordo com a denúncia, foram adquiridas 60 próteses de silicone, com medidas entre 10 e 25 centímetros. “Sabe quanto custa cada uma? Entre 50 e 60 mil! E VOCÊ que tá pagando essa conta”, escreveu o deputado.

Exemplo de prótese peniana semelhante às adquiridas pelo exército

Prótese peniana semelhante às adquiridas pelo exército

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O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu uma investigação por possível uso indevido de dinheiro público após Vaz levar uma representação, também assinada pelo senador Jorge Kajuru (Podemos-GO), pedindo a abertura do inquérito.

De acordo com a denúncia, as próteses foram adquiridas pelo exército no ano passado de três diferentes fornecedores, através de três pregões eletrônicos, em março, maio e outubro de 2021, com parte do material sendo destinado para o Hospital Militar de Área de Campo Grande (MS), e parte para o Hospital Militar de Área de São Paulo.

O exército contestou a denúncia, afirmando que somente três próteses foram adquiridas. O detalhamento das compras explica que os produtos seriam utilizados para a realização de cirurgias.

Em nota, o exército negou a acusação, afirmando que somente três próteses foram adquiridas

Em nota, o exército negou a acusação, afirmando que somente três próteses foram adquiridas

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Segundo o levantamento, feito pelo parlamentar sobre dados do Portal da Transparência e do Painel de Preços do governo federal, e publicado pelo colunista Guilherme Amado, do site Metrópoles, os fornecedores foram a empresa Lotus Medical Distribuidora e Comércio de Produtos Médicos Eireli, a Quality Comercial de Produtos Médicos Hospitalares e a Boston Scientific do Brasil.

“É atribuição do Sistema de Saúde do Exército atender a pacientes do sexo masculino vítimas de diversos tipos de enfermidades que possam requerer a cirurgia para implantação da prótese citada”, afirma a nota do exército, que diz que as compras foram feitas dentro da lei, e que o número de 60 próteses representava somente uma estimativa para a compra.

O deputado federal Elias Vaz, que levantou a denúncia e apresentou ao TCU

O deputado federal Elias Vaz, que levantou a denúncia e apresentou ao TCU

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“O povo brasileiro sofre para conseguir medicamentos nas unidades de saúde e um grupo é atendido com próteses caríssimas”, afirmou Vaz, em nota. A nova denúncia surge em um momento em que o TCU já apura a compra de mais de 35 mil compridos de Viagra, com suspeita de uso indevido de dinheiro público e superfaturamento, após pedido de investigação de Elias Vaz e do deputado federal Marcelo Freixo (PSB-RJ).

Mais de 35 mil comprimidos de Viagra foram adquiridos pelas Forças Armadas

Mais de 35 mil comprimidos de Viagra foram adquiridos pelas Forças Armadas

Denuncias recentes também apontaram a compra de remédios para calvície e ainda a reserva de mais de R$ 540 mil para adquirir botóx pelas Forças Armadas, que negam o pedido.

Sobre os comprimidos de Viagra, a Marinha e a Aeronáutica alegaram que o medicamento, utilizado principalmente para combater a disfunção erétil, seria, na realidade, para Hipertensão Arterial Pulmonar, rara patologia para qual o Viagra também pode ser indicado.

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© fotos 3, 4: Wikimedia Commons


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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