Inspiração

Glasgow pede desculpas por escravização e diz que lembranças dos tráfico estão por toda cidade

Redação Hypeness - 13/04/2022 às 17:28 | Atualizada em 13/04/2022 às 17:28

As autoridades de Glasgow pediram desculpas pelo papel da cidade no comércio de escravizados no Atlântico, dizendo que os “tentáculos” do dinheiro da prática chegaram a todos os cantos da maior metrópole da Escócia. O pedido chega num momento em que a Grã-Bretanha está cada vez mais repensando o assombroso legado de seu passado colonial após os protestos globais contra o racismo puxado pelo movimento Black Lives Matter.

Para rever esse e outros pontos racistas relacionados à história da região, o conselho da cidade de Glasgow lança um estudo acadêmico que encomendou para analisar as conexões da cidade com o tráfico de seres humanos e suas consequências hoje.

“Siga a trilha do dinheiro da escravidão (sic) no Atlântico e seus tentáculos alcançam todos os cantos de Glasgow”, disse a líder do conselho, Susan Aitken, a colegas em uma reunião. “Está claro o que este relatório diz é que o sangue de africanos traficados e escravizados, seus filhos e filhos de seus filhos está embutido nos próprios ossos desta cidade”.

Uma das principais descobertas do relatório foi que 40 dos 79 senhores reitores ou prefeitos de Glasgow estavam ligados ao comércio de escravos no Atlântico entre 1636 e 1834. Alguns deles ocuparam cadeiras importantes no funcionalismo público enquanto ainda possuíam pessoas escravizadas em seu domínio.

Pelo menos 11 edifícios em Glasgow estão ligados a indivíduos que estiveram envolvidos com o comércio de pessoas, principalmente negras e africanas, enquanto oito indivíduos implicados têm monumentos ou outros memoriais os homenageando na cidade.

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Um total de 62 ruas de Glasgow têm o nome de antigos proprietários de escravizados que construíram suas fortunas nas plantações de tabaco. Estes incluem Buchanan Street e Glassford Street, em homenagem aos “senhores do tabaco” Andrew Buchanan e John Glassford.

James Watt, cujas melhorias no motor a vapor impulsionaram a Revolução Industrial, estava pessoalmente envolvido no tráfico de uma criança negra para venda a uma família no nordeste da Escócia, segundo o relatório. “Isso não pode mais ser ignorado e a emenda que estou apresentando hoje pede que façamos três coisas: reconhecer, pedir desculpas e agir”, disse Aitken.

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A chefe-executiva do conselho de Glasgow, Annemarie O’Donnell, disse que a cidade reconheceu que os cidadãos negros, asiáticos e de minorias étnicas desejam que o conselho “reconhecesse o legado histórico da escravidão (sic) baseada na exploração de africanos escravizados”.

O relatório, do acadêmico da Universidade de Glasgow Stephen Mullen, que escreveu extensivamente sobre as ligações da cidade com a escravidão (sic), foi “um passo para curar a raiva e a frustração” sentidas por esses cidadãos, acrescentou.

Antes tarde do que mais tarde

Em 2020, um dos mais tradicionais e populares clubes de futebol do país, o Celtic F. C. aderiu às manifestações e ações antirracismo que se espalharam pelo mundo depois do assassinato de George Floyd nos EUA antecipando o que o governo decidiu olhar só agora.

Para além de um posicionamento público, a brigada verde do Celtic substituiu placas que, por toda a cidade de Glasgow, homenageavam publicamente antigos escravagistas: no lugar dos mercadores de pessoas escravizadas, entraram novas placas, em tributo a grandes nomes da luta contra o racismo.

—Leia a matéria completa aqui: Torcida do Celtic substitui placas que homenageiam escravagistas em Glasgow por líderes do movimento negro

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fotos: getty images


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