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Motoristas de aplicativos passam até 15 horas ao volante e reclamam de baixas remunerações

Redação Hypeness - 01/04/2022 às 12:01 | Atualizada em 09/05/2022 às 10:50

Na noite dessa quinta-feira (31), o ex-‘BBB’ Rodrigo Mussi foi internado após sofrer um traumatismo craniano durante um acidente de carro na Marginal Pinheiros, em São Paulo.

Mussi estava no carro de um motorista de aplicativo, que alega que acabou cochilando no volante. O caso evidencia como o modelo de trabalho proposto pelas empresas como Uber, 99, iFood e Rappi pode levar à exaustão e consequências absurdas para os seus ditos colaboradores.

Jornada exaustiva

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No Youtube, é extremamente comum encontrar canais de motoristas de aplicativos e entregadores que se propõem a trabalhar por 24 horas ou até mais para esses apps. A remuneração baixa e o alto custo da gasolina transformou o que parecia uma boa alternativa ao desemprego em um verdadeiro pesadelo.

Motoristas relatam trabalhar mais de 12 horas por dia útil para no final do mês e mesmo assim tiram menos do que R$ 3 mil. As plataformas não arcam com custos do carro – como o combustível, que tem atingido valores históricos devido às sanções contra o petróleo russo – e alimentação dos trabalhadores durante a jornada.

Acidente de Rodrigo Mussi

Em entrevista ao UOL, um motorista de aplicativo relatou que trabalha mais de 60 horas por semana para receber R$ 3 mil. “Já estou saturado, porque cansa muito e eu não consigo manter a cabeça no lugar. Tenho que fugir disso”, disse um motorista de app ao veículo.

Jornadas exaustivas de trabalho são exibidas no Youtube; precarização aumenta risco de acidentes e não protege trabalhadores

O motorista de aplicativo do carro de Rodrigo estava exausto. “Só vi o airbag na minha cara, provavelmente devo ter dado uma cochilada, sono, alguma coisa, e infelizmente teve esse acidente”, disse à TV Globo.

As jornadas extensas se acentuam e aumentam os riscos de acidentes de carro. Dados do governo dos EUA apontam que os acidentes causados por sonolência causam 1.550 mortes por ano e por 9% das batidas nas estradas estadunidenses. Além disso, de acordo com o CDC, dirigir após 18 horas acordado é comparável a dirigir bêbado.

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O motorista do carro está bem e não teve escoriações no acidente. Rodrigo, que não utilizava o cinto de segurança, acabou sendo arremessado para fora do veículo e teve um traumatismo craniano. Ele segue internado em estado grave no Hospital das Clínicas, conforme informações da TV Globo.

A 99, empresa responsável pela viagem de Rodrigo, emitiu nota garantindo que iria oferecer apoio e acolhimento a Rodrigo e ao motorista do carro envolvido no acidente.

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“A 99 confirma que Rodrigo Mussi estava em uma corrida da plataforma, quando o carro em que estava se envolveu em uma colisão nesta quinta-feira (31), em São Paulo”, começava o comunicado.

“A empresa lamenta profundamente o acidente e informa que está em busca de contato com os familiares do passageiro e motorista para oferecer apoio e acolhimento necessários – o que inclui seguro contra acidentes pessoais. A empresa irá colaborar com as autoridades no que for preciso durante a investigação”, finalizou.

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Fotos: Reprodução/TV Globo e Reprodução/Instagram


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