Ciência

Neurocientista afirma que longevidade pode estar associada com hora que comemos

Vitor Paiva - 13/04/2022 às 10:13

Se o que comemos é determinante para nossa saúde e longevidade, talvez a hora em que fazemos nossas refeições seja tão importante quanto: é isso que busca compreender a pesquisa liderada pelo neurobiólogo e geneticista nipo-estadunidense Joseph Takahashi, no que pode se confirmar como a mais nova grande descoberta no tema. Professor na University of Texas Southwestern Medical Center e cientista do Howard Hughes Medical Institute, Takahashi liderou as pesquisas que descobriram o primeiro gene que controla o relógio biológico em mamíferos, nos anos 90, e sugere que a confirmação poderá abrir portas para uma nova forma de nos relacionarmos com nossos relógios biológicos, com nossa alimentação, saúde e longevidade.

A pesquisa de Takahashi levanta a hipótese da hora da alimentação ser tão importante quanto as calorias

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Em suma, somos o que comemos, mas possivelmente também quando comemos. De acordo com estudos liderados por Takahashi nos últimos anos, historicamente fatores como o intervalo entre refeições e o período do dia em que as realizamos foram pouco considerados como elementos determinantes nas pesquisas sobre longevidade. Os primeiros estudos com ratos, porém, revelaram que tal foco pode ser central: entre os animais colocados em dietas com consumo de calorias reduzido, somente aqueles que tiveram o momento de alimentação restrito ao período normalmente mais ativo do dia, mantendo-se sempre dentro do ciclo de alimentação e atividades regulares, foram os que de fato perderem peso, por exemplo.

O neurobiólogo e geneticista Joseph Takahashi, da University of Texas Southwestern Medical Center

O neurobiólogo Joseph Takahashi, da University of Texas Southwestern Medical Center

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Todos os ratos estudados recebiam uma mesma quantidade de calorias para consumo ao longo do estudo, que manteve como única variável o momento de ingestão dos alimentos, bem como variações no intervalo entre refeições. O respeito ao relógio biológico, portanto, pode ser uma chave fundamental para ajudar a desvendar ainda mais a relação entre nossa alimentação e a duração de nossas vidas: não “desrespeitar” o ritmo circadiano e sempre se alimentar ao longo de um período de 12 horas pode ser hábito chave para uma vida mais longeva e saudável.

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“Será que a redução de calorias que melhora nossa saúde e longevidade, ou o ritmo de nossa alimentação? A resposta é provavelmente um equilíbrio entre as duas coisas”, afirmou Takahashi. “Nossos estudos preliminares sobre o intervalo da ingestão de calorias mostram que podemos estar diante de uma descoberta imensa. Se não somente as calorias afetam a extensão de nossas vidas, mas também o tempo de nossa alimentação for um fator crucial, então isso será revolucionário, e teremos que rever a forma como pensamos nossas restrições alimentares”, afirmou.

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© foto 1: Flickr/CC

© foto 2: University of Texas Southwestern Medical Center

© foto 3: PxFuel


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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