Criatividade

No set do filme ‘O Incrível Homem que Encolheu’, de 1957, com tesouras, sofás e rádios gigantes

Vitor Paiva - 01/04/2022 às 15:17 | Atualizada em 06/04/2022 às 10:50

Com os efeitos especiais e a computação gráfica de hoje, o cinema é realmente capaz de tornar a mais delirante imaginação em imagem na tela, mas em 1957 um filme era feito sem computador, somente com cenografia, truques de câmera e efeitos especiais “reais” – e foi nesse ano e dessa forma que se fez O Incrível Homem que Encolheu. Dirigido por Jack Arnald e estrelado por Grant Williams, é possível supor o enredo do filme a partir do título: um dia, depois de ser encoberto em um barco por uma estranha nuvem que ele não sabia que era radioativa, o personagem Scott Carey descobre que começou a encolher. Mas como mostrar isso ao público de forma convincente e impactante sem poder recorrer aos recursos digitais atuar, que simplesmente ainda não existiam?

A atriz Randy Stuart e o ator Grant Williams no set, durante as filmagens

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A primeira resposta é a mais evidente, e as fotos do set de filmagens publicadas pela revista LIFE mostram que utensílios gigantescos foram de fatos produzidos e mesmo cenários inteiros foram ampliados a fim de fazer com que o ator parecesse cada vez menor. Mas vale lembrar que o personagem não para de encolher ao longo do filme, reduzindo até ficar menor que um inseto, e não haveria orçamento que desse conta de reproduzir tal processo produzindo novos e mais novos cenários e objetos de cena cada vez maiores – assim, truques de câmera e efeitos especiais “manuais” realmente incríveis tiveram de ser realizados para filmar a história – e o efeito.

Parte da equipe de "O Incrível Homem que Encolheu", carregando os gigantes objetos de cena

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Aumentar o cenário era jeito eficaz de ilustrar o tamanho reduzido do personagem

Aumentar o cenário era jeito eficaz de ilustrar o tamanho reduzido do personagem

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Cada posicionamento de câmera para as filmagens foi devidamente pensado com a finalidade de imprimir a diminuta dimensão de Scott, mas não somente: sobreposição de imagens em filmes foram utilizadas, com cenas “coladas” sobre fundos ampliados, sincronizando sequências diferentes para reposicionar a atuação de Williams sobre um diferente fundo –, diante do qual ele parece medir poucos centímetros. Mas o mais divertido é mesmo ver as fotos mostrando os objetos gigantes que a produção preparou para servir de cenário e instrumento de cena dando a dimensão do incrível homem que encolheu.

O filme foi um imenso sucesso, reconhecido como um marco dos efeitos especiais no cinema

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São caixas de fósforo, agulhas de tricô, botões, cadeiras, revistas, lápis, sofás e até gotas de água que se transformam em verdadeiras tempestades sobre o personagem. Apesar de certo caráter surreal e até mesmo experimental – com seu sentido aproximando-se do filosófico ao fim – o filme foi um sucesso, tornando-se uma das maiores bilheterias de ficção científica dos anos 1950, e atingindo caráter de adoração cult desde então e até hoje. Não é por acaso, portanto, que O Incrível Homem que Encolheu foi selecionado para ser preservado, em 2009, pela Biblioteca do Congresso, como sendo “culturalmente, historicamente e esteticamente importante” – além de imensamente divertido.

O personagem encolhido enfrenta grandes ameaças até mesmo diante de um mero bueiro

O personagem encolhido enfrenta grandes ameaças até mesmo diante de um mero bueiro

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© fotos: LIFE/Messy Nessy/reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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