Debate

Paraquedistas falam em erro no pouso como causa da morte de sargento do exército

Vitor Paiva - 28/04/2022 às 10:12

Um inquérito foi aberto pela Polícia Civil de Boituva, no interior de São Paulo, para investigar o que causou a morte da sargento do exército Bruna Ploner, em um salto de paraquedas realizada pela militar e atleta, que tinha 33 anos. Saltadora experiente que já havia atuado como instrutora, Ploner integrava o Programa de Atletas de Alto Rendimento do exército, ligado à Comissão de Desportos da corporação, e faleceu em acidente ocorrido na hora do pouso, após salto realizado no Centro Nacional de Paraquedismo, no dia 24 de abril: seu corpo foi velado em São Caetano do Sul, e sepultado no Cemitério Baeta Neves, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, no dia 26.

A sargento do exército Bruna Ploner, falecida em queda de paraquedas

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O acidente foi registrado em vídeo por uma câmera de segurança, que mostra o momento da queda da atleta. Segundo especialistas escutados por reportagem do G1, o registro sugere um erro técnico de Ploner no momento do pouso como provável causa. Durante o salto, a atleta teria cumprido corretamente todos os procedimentos, abrindo o paraquedas do tipo “belly fly” – menor e de alta performance, adequado ao tipo de salto que ela realizava – no momento certo, a 4 mil pés de altura. Na hora da aterrisagem, porém, ela teria realizado um movimento importante em uma altitude menor do que a devida para um pouso seguro.

Bruna Ploner em voos anteriores: a jovem era bastante experiente nos saltos

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O paraquedas de alta performance exige, segundo especialistas, um giro em ponto mais alto, e o possível erro pode ter se revelado impossível de ser recuperado no momento da queda – outra hipótese levantada foi de Bruna ter errado ao tentar realizar uma curva mais brusca, provocando a queda na pressão do seu equipamento. No vídeo, a jovem sofre a queda forte e é arrastada por alguns segundos e o impacto provocou politrautismos: levada ao Hospital Municipal São Luiz, ela não resistiu aos sofrimentos.  Segundo o Centro Nacional de Paraquedismo, a atleta era apta para usar o equipamento e saltar em qualquer lugar do Brasil.

Post da Comissão de Desportos do Exército lamentando o acidente

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Para realizar a perícia exigida pela investigação, a Polícia Civil apreendeu o equipamento utilizado no salto, testemunhas foram convocadas a depor, e um exame toxicológico na vítima também solicitado. Em nota oficial, a Confederação Brasileira de Paraquedismo (CBPq) lamentou o ocorrido, em solidariedade com familiares, amigos e companheiros de trabalho de Bruna, e recomendou aos atletas que foram realizar saltos de alta performance que sigam as recomendações estritamente dos fabricantes e o código esportivo, e que avaliem rigorosamente sempre o próprio estado físico e mental, permanecendo em solo diante de qualquer sinal de alerta.

Bruna tinha 33 anos

Bruna tinha 33 anos

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© fotos: Instagram/reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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