Diversidade

Precisamos falar da invisibilização das pessoas negras e asiáticas com síndrome de Down

Redação Hypeness - 05/04/2022 às 14:40 | Atualizada em 12/04/2022 às 10:36

O capacitismo é um problema na nossa sociedade; pessoas com deficiência são, muitas vezes, invisibilizadas na imprensa, na publicidade, no mercado de trabalho e na arte. E após muita batalha das PcDs por mais inclusão, ainda existem reparações necessárias e lutas para serem travadas por essa população.

Quando você pesquisa por ‘síndrome de Down’ no Google imagens, a maioria das figuras mostra pessoas brancas com trissomia. E isso é um reflexo de como as pessoas com deficiência de outras etnias, como as negras e as asiáticas, acabam sofrendo um duplo preconceito: o capacitismo e o racismo.

Pesquisa no Google 'Síndrome de Down' só mostra pessoas brancas

Em bancos de imagem e pesquisas do Google, vemos que espaço é dado a pessoas com deficiência brancos

Em 2016, o pai de uma jovem com síndrome de Down de ascendência asiática questionou em uma rádio o porquê de não existirem tantas pessoas com trissomia de etnias que não são a branca. Em entrevista à rádio do Brasil de Fato, a especialista Lenir Santos, presidenta da Federação Brasileira das Associações de síndrome de Down e vice-presidenta da Fundação síndrome de Down, explica que raça ou fenótipo não alteram as chances da condição.

– Maju de Araújo: a 1ª brasileira com síndrome de Down a fazer parte do time de embaixadoras da L’Oréal

“A incidência dela é igual em qualquer raça, seja japonês, oriental, seja negro. De 800 a mil nascimentos, um vai ter Síndrome de Down. A população negra  é proporcional à branca. Nasce a mesma quantidade de criança branca que nasce com Síndrome de Down e a mesma que nasce negra com Síndrome de Down. E porque raramente a gente vê na televisão, revista, a respeito da pessoa com Síndrome de Down e sempre acaba aparecendo uma pessoa branca, raramente aparece uma pessoa negra? É por causa da profunda desigualdade que o nosso Brasil tem”, pontua Lenir Santos ao BdF.

Homem com síndrome de down negro

Inclusão de pessoas com deficiência deve ser acompanhada de igualdade racial, de gênero e sexualidade

De fato, ao analisarmos a presença midiática das pessoas com deficiência e a influência delas, por exemplo, nas redes sociais, observamos que quem ganha mais presença é o PcD branco. E, no fim das contas, precisamos trabalhar por uma inclusão que traga para o debate os negros, os indígenas e todos povos racializados.

– Evelyn Labanda: primeira apresentadora com síndrome de Down do Equador quer entrar para a TV aberta

“O fato é que dificilmente uma pessoa negra com deficiência aparece nas campanhas publicitárias, ou como imagem representativa de pautas sociais, menos ainda ocupando o lugar de fala. Em resumo, existe um duplo véu de invisibilidade sobre a pessoa negra com deficiência: o do capacitismo e o do racismo. É fundamental que as pessoas negras com deficiência sejam, de fato, contempladas por políticas públicas que lhes garantam proteção, desenvolvimento e inclusão. Cabendo também à sociedade se conscientizar do seu papel e adotar práticas que viabilizem a ocupação dessa população em todos os espaços”, afirma Ana Paula Souza, mulher negra, mãe de criança com deficiência e Integrante do Comitê Gestor do AcolheDown em sua coluna.

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Fotos: Destaques: © Getty Images Foto 1: Reprodução Foto 2: © Getty Images


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