Futuro

Recorde de demissões voluntárias, com mais de 560 mil pedidos, é alcançando em fevereiro

Vitor Paiva - 20/04/2022 às 09:20 | Atualizada em 25/04/2022 às 08:31

O mês de fevereiro de 2022 registrou um recorde de 560.272 pedidos voluntários de demissão no Brasil. O número foi levantado pelo economista Bruno Imaizumi, da LCA Consultores, a partir de microdados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), e representa uma média de 29.448 desligamentos de trabalho por dia útil no período.

Este é o maior número de demissões contabilizado em um único mês desde o início da série histórica contabilizada pelo Caged, iniciada em janeiro de 2020, utilizando o método de contagem de vagas atual.

A onda de demissões voluntárias atingiu recordes dos últimos 8 anos no mês de fevereiro

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A média diária de demissões por dia útil alcançada em fevereiro é também a maior do período, superando o recorde estabelecido no mês anterior, quando, em janeiro de 2022, o número chegou a 25.931 demissões por dia útil, com 544.541 pedidos ao todo no período.

É justo, portanto, confirmar que o Brasil atravessa no momento uma onda de demissões voluntárias, que vem desde o final do ano passado, com média de cerca de 500 mil pedidos mensais: os números, porém, contrastam com a realidade atual brasileira, de mais de 13 milhões de desempregados com a grave taxa de desemprego em 13%.

A situação de pedidos de demissão só cresce, apesar do quadro de desemprego generalizado

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Os números são os maiores dos últimos 8 anos, e remontam ao início de 2014, quando, em janeiro, o país registrou 542.685 pedidos de demissão. O fenômeno, no entanto, não é exclusivo do Brasil: no final do ano passado, mais de 4,5 milhões de funcionários nos EUA deixaram seus postos de trabalho, alcançado também um recorde na série histórica do país.

O quadro é ainda mais peculiar diante do fato de que a demissão voluntária no Brasil não oferece vantagens a quem a pede, nem libera o FGTS para o empregado que deixa o trabalho. Mas o que explica, portanto, esse intrigante fenômeno, em um país enfrentando uma crise econômica tão grave quanto a atual?

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Segundo especialistas, algumas tendências e mudanças ajudam a explicar o quadro, tanto no Brasil quanto no resto do mundo – a começar pela normalização do mercado de trabalho, com a aparente superação da fase mais crônica da pandemia da Covid-19.

Passada a fase de demissões generalizadas que marcou o início da pandemia, muita gente aceitou empregos inferiores às suas capacidades e faixas salariais, mas com o avanço da vacinação e a estabilização do cenário, as pessoas passaram a deixar tais empregos, em busca de uma situação melhor ou de um emprego condizente com suas situações anteriores.

Outro fator que aumentou as demissões voluntárias foi a busca maior por trabalhos remotos, por conta de remuneração, mas também por qualidade de vida, através, por exemplo, de horários flexíveis e de não mais precisar enfrentar o trânsito e os longos deslocamentos.

A estabilização de um melhor cenário pandêmico também interfere diretamente no quadro

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© fotos 1, 3, 4: Getty Images

© foto 2: Wikimedia Commons


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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