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Tasha e Tracie: as gêmeas com sangue nigeriano que estão se destacando na cena do rap

05 • 04 • 2022 às 16:14
Atualizada em 12 • 07 • 2022 às 10:04
Gabriela Rassy
Gabriela Rassy   Redatora Jornalista enraizada na cultura, caçadora de tendências, arte e conexões no Brasil e no mundo. Especializada em jornalismo cultural, já passou pela Revista Bravo! e pelo Itaú Cultural até chegar ao Catraca Livre, onde foi responsável pelo conteúdo em agenda cultural de mais de 8 capitais brasileiras por 6 anos. Roteirizou vídeo cases para Rock In Rio Academy, HSM e Quero Passagem, neste último atuando ainda como produtora e apresentadora em guias turísticos. Há quase 3 anos dá luz às tendências e narrativas culturais feministas e rompedoras de fronteiras no Hypeness. Trabalha em formatos multimídia fazendo cobertura de festivais, como SXSW, Parada do Orgulho LGBT de SP, Rock In Rio e LoollaPalooza, além de produzir roteiros, reportagens e vídeos.

As gêmeas Tasha e Tracie Okereke ganham cada dia mais destaque na cena do rap nacional unindo rimas que enaltecem a mulher negra e moda em um movimento afrofuturista. Criadoras do blog “Expensive $hit”, elas trabalham com a arte e a informação para a valorização da autoestima e da autonomia dos jovens das periferias.

Aliás, foi exatamente na moda que elas começaram esse movimento, que teve reconhecimento internacional. O blog já fazia sucesso lá em 2014, trazendo referências de estilos e conhecimento voltado para a quebrada.

Tasha e Tracie: as gêmeas com sangue nigeriano que estão se destacando na cena do rap

Nascidas na Zona Norte de São Paulo, as duas são filhas de mãe brasileira e pai nigeriano. A entrada na cena musical aconteceu em 2019, quando colocaram suas rimas para fora e ocuparam espaço na cultura rap paulista. Nasce em 2021 o EP diretoria, com 7 faixas, incluindo o single “SUV”, um feat com o rapper Yunk Vino que já saiu com clipe dirigido por Jef Delgado.

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“É importante misturar funk novo com funk mais antigos como forma de preservar a história do funk em São Paulo. Também gostamos de misturar funk com rap, trap, grime e drill. Nossa música é basicamente uma mistura de todos os gêneros diferentes que gostamos”, disseram ao portal norte-americano Colors, que trabalha pela valorização da música produzida por pessoas negras.

Autênticas e mandando o papo reto, Tasha e Tracie produzem rimas que vão do sexo ao poder, falando de relacionamentos e grana em um diálogo com a juventude preta. Na música que dá título ao EP, elas botam os homens no lugar deles e mostram seu empoderamento fluindo entre batidas que misturam funk, R&B, trap, rap e até toques de partido alto.

Bom, sabe meu maior dom?
É ficar forte quando me acham fraca
Deixo engordar enquanto amolo a faca
Na pedra que atiraram
Nem me viam e eu passava
Subestimaram e eu virei ameaça

“Parte do nosso trabalho é sobre fazermos coisas que queríamos ter tido na adolescência. É muito gratificante ouvir de mães e pais que as filhas gostam do próprio cabelo por causa da gente”, contam as gêmeas em entrevista ao Universa.

Hoje com 26 anos, a dupla já tem presença marcada em eventos como o Breve Festival, em Belo Horizonte, e Festival CoMA – Consciência, Música e Arte, em Brasília. O último lançamento, em março de 2022, é uma parceria entre as irmãs e as manas Ananda, Mariah, Thai Flow, Mc Mika & Dj Billy Mandela.

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“A indústria da música sempre foi opressiva para as mulheres, como a sociedade em geral. !uando as mulheres se tornam visíveis no cenário do funk, elas são ouvidas: no funk, sua aparência e idade realmente não importam. É sobre sua voz, sua música e a capacidade das pessoas de acessá-las. Mas é a questão de acesso e distribuição que é o problema, pois a maioria dos estúdios de funk são geridos por homens”, contam ao Colors.

Com mais de 5 milhões de visualizações no canal do YouTube e mais de 430 mil ouvintes mensais no Spotify, as gêmeas fizeram participação ainda no novo álbum da cantora e drag queen Gloria Groove, “Lady Leste”, cantando na faixa “Pisando Fofo”.

Em 2021, Tasha e Tracie participaram dopodcast “Podepah” em uma das conversas mais interessantes do programa. Na ocasião, elas falaram sobre trabalhos anteriores, em lojas do shooping JK Iguatemi, quando Tasha viveu diversas situações preconceituosas, mas não deixou barato. Vale assistir a entrevista:

 

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