Debate

Teólogo defende que Jesus sofreu abuso sexual antes de ser crucificado; entenda

Redação Hypeness - 11/04/2022 às 17:01

David Tombs, professor da Universidade de Otago, é um homem que gosta de provocar questionamentos em seus alunos. E, ao repensar sobre a história mais conhecida do mundo ocidental, ele encontrou um tema que nunca foi comentado na trajetória de Jesus Cristo: para Tombs, o profeta cristão foi vítima de abuso sexual durante a Via Sacra.

Jesus, uma vítima: teria  Cristo sido vítima de abuso sexual coletivo do Império Romano? De acordo com esse teólogo, sim.

Tombs passou a pesquisar sobre tortura e descobriu que, ao longo da história, a prática combinada ao assédio sexual é extremamente comum. E, para o professor universitário, há uma passagem na Bíblia que indica que, durante o processo de crucifixão e tortura de Jesus, ele foi vítima de violências ao nível sexual. Leia:

“Então Pilatos, querendo satisfazer a multidão, soltou-lhe Barrabás e, açoitado Jesus, o entregou para ser crucificado. E os soldados o levaram dentro à sala, que é a da audiência, e convocaram toda a coorte [unidade militar romana com 500 soldados]. E vestiram-no de púrpura, e tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram na cabeça. E começaram a saudá-lo, dizendo: Salve, Rei dos Judeus! E feriram-no na cabeça com uma cana, e cuspiram nele e, postos de joelhos, o adoraram. E, havendo-o escarnecido, despiram-lhe a púrpura, e o vestiram com as suas próprias vestes; e o levaram para fora a fim de o crucificarem”  (Marcos 15:15-20, versão Almeida).

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Violência sexual como arma de tortura

De acordo com Tombs, Cristo foi vítima de um nível de violência sexual, sendo forçado a ficar nu em frente a soldados e uma multidão hostil. Para ele, esse aspecto de crueldade e vilania era uma prática de violência sexual da época. Ele também questiona o porquê da invisibilização dessa passagem nos ritos cristãos.

“São dois aspectos: o primeiro é o que o texto realmente fala. Vejo a nudez forçada de Cristo como uma forma de violência sexual, o que justifica chamá-lo de vítima de abuso sexual. Embora muitas pessoas tenham dificuldade de chamar a nudez forçada de violência sexual, tendo a crer que elas estão sendo desnecessariamente resistentes ao que o texto afirma”, afirmou o professor à Universidade de São Paulo.

“Fiquei chocado pelo fato de que tinha estudado aquilo e nunca tinha focado o tema da sexualidade. Comecei a tentar entender mais por que os soldados fazem isso com as pessoas. Li relatórios de tortura, de direitos humanos e de comissões da verdade e ficou absurdamente nítido para mim como o abuso sexual é comum na tortura, ainda que não seja a primeira coisa em que as pessoas pensam quando se fala de tortura”, explica.

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De acordo com o relatório final da Comissão Nacional da Verdade, que analisa os crimes cometidos pelo estado brasileiro durante a ditadura militar, a regra durante a tortura era forçar a nudez do preso político e expor sua intimidade para os militares. Estupros e outros tipos de violência sistemática contra os genitais e outras partes íntimas das vítimas também eram recorrentes.

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Fotos: Domínio Público


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