Ciência

A melhor hora para dormir e o número ideal de horas, segundo a ciência do sono

30 • 05 • 2022 às 19:04
Atualizada em 02 • 06 • 2022 às 10:01
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Uma pesquisa recente concluiu que quem vai dormir entre 22h e 23h e dorme por ao menos 7 horas reduz consideravelmente o risco de doenças cardíacas e outros problemas de saúde relacionados. A conclusão vem de estudo realizado em 2021 pela Sociedade Europeia de Cardiologia, e reitera o conhecimento de que a qualidade do nosso sono é diretamente proporcional à qualidade de nossa saúde. A pesquisa foi realizada a partir de dados de mais de 88 mil pessoas 58% delas mulheres, entre 37 e 73 anos. por um período de 5 a 7 anos, no Reino Unido.

O horário mais saudável para se dormir, segundo o estudo, é entre 22h e 23h

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Intitulado “Bedtime linked with heart health” (“Hora de dormir ligada à saúde cardíaca”, em tradução livre) e publicado na revista Science Daily, o estudo confirma que quem vai dormir uma hora depois desse horário ideal – indo se deitar entre 23h e meia-noite – já eleva em 12% os riscos de desenvolver algum tipo de doença cardíaca. O quadro se amplia com o passar das horas: quem dorme após meia-noite enfrenta riscos até 25% maiores. Curiosamente, quem se deita cedo demais também pode desenvolver problemas de saúde: as chances são 24% mais altas entre quem vai dormir antes das 22h.

Quem dorme cedo demais também aumenta o risco de doenças cardíacas

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“O corpo possui um relógio interno de 24 horas, que chamamos de ‘ritmo circadiano’, e que ajuda a regular nossas funções físicas e mentais”, explica David Plans, neurocientista da Universidade de Exeter, no Reino Unido, e principal autor do estudo. “Apesar de não podermos concluir a causalidade de nosso estudo, os resultados sugerem que dormir cedo ou tarde demais pode alterar mais nosso relógio corporal, o que traz consequências negativas à nossa saúde cardiovascular”, diz o médico e pesquisador, em resultados que se afirmam para além de outros fatores de risco ou características do sono.

O neurocientista David Plans, da Universidade de Exeter

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Diferenças culturais são levadas em consideração pelo estudo para determinar os melhores padrões de sono em relação a cada país, por exemplo. O estudo diferencia, por exemplo, o hábito das famílias inglesas de jantarem especialmente cedo, com relação aos espanhóis, que costumam jantar e dormir mais tarde. Assim, novos e mais amplos estudos se fazem necessários, mas os resultados servem como importantes padrões de pesquisa a serem aplicados sobre culturas diferentes. “Se nossas descobertas forem confirmadas por outros estudos, a hora de dormir e a higiene do sono podem ser alvos baratos para políticas públicas de saúde, a fim de reduzir o risco de problemas cardíacos”, afirma Plans.

O estudo reconhece que diferenças culturais e habituais podem alterar a aplicação do resultado

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© foto 1: PxHere

© fotos 2, 4: Getty Images

© foto 3: Alan Turing Institute/reprodução


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