Ciência

Bahia tem 16 terremotos em um único município: abalos são comuns no estado

18 • 05 • 2022 às 09:06
Atualizada em 19 • 05 • 2022 às 10:26
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Foram registrados 16 tremores de terra no domingo, dia 8 de maio, no município baiano de Jacobina, ao norte do estado. Os abalos aconteceram entre as 2h71 e as 9h54 da manhã, e foram todos de baixa potência, com o mais intenso chegando a magnitude de 2.3 na escala Richter (mR) por volta das 7h48, percebido pelos moradores da cidade, conforme informou o Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que monitora os tremores na região nordeste do Brasil.

Os outros 15 tremores ocorridos no domingo registraram magnitude igual ou inferior a 1.0mR, acontecendo principalmente a partir das 7h50 da manhã. Outro evento similar foi registrado na cidade no dia 15 de maio, com força de 1.1mR.

O município de Jacobina, na Bahia, onde dezenas de abalos são registrados todos os anos

O município de Jacobina, na Bahia, onde dezenas de abalos são registrados todos os anos

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Terremotos na Bahia

Os abalos não são de forma alguma novidade na região da Bahia: somente nesse ano, cerca de 45 terremotos foram registrados em Jacobina. Na quinta feira do dia 5, por exemplo, poucos dias antes da sequência registrada no dia 8, outro abalo de força 2.1mR foi percebido, e no dia 04 de março foram notados 17 eventos sísmicos na cidade.

Os abalos do dia 8 foram avisados inicialmente pelo WhatsApp, confirmando a percepção do abalo principalmente na região do povoado de Jaboticabal, dentro do município. O LabSis/UFRN segue monitorando as atividades sísmicas que no estado da Bahia, e uma nova rede sismográfica foi instalada pelo laboratório na cidade.

Vista de Jacobina do alto do Pico do Jaraguá

Vista de Jacobina do alto do Pico do Jaraguá

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A rede foi instalada com apoio da Defesa Civil, da prefeitura e do Instituto Nacional de Estudos Tectnicos (INCT-ET/CNPq), e tem como objetivo mapear e estudar os tremores na região, contando com seis estações em diferentes pontos do município baiano.

Os tremores mais recentes estão sendo mapeados e as causas devidamente investigadas: apesar da grande quantidade de abalos, nenhum dano material maior ou ferimento foi registrado. Dezenas de abalos também foram registrados na cidade no ano passado: mas o que faz com que essa região da Bahia seja tão frequentemente afetada por abalos sísmicos?

Registro de abalo do dia 8 pelo Laboratório Sismológico da UFRN

Registro de abalo do dia 8 em Jacobina pelo Laboratório Sismológico da UFRN

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As estações sismográficas só foram instaladas no Nordeste em 2010 e, portanto, as investigações ainda estão no começo para de fato alcançarem uma resposta objetiva sobre as atividades na cidade e na região. Estudos anteriores, porém, lembram que a Bahia é uma área “sismicamente ativa”, afetada por desdobramentos de abalos maiores, ocorridos muitas vezes a milhares de quilômetros.

Apesar de estar localizado em uma “área estável”, o efeito do deslocamento de falhas geográficas distantes pode ser sentidos no país: segundo geólogos, o Nordeste é especialmente tensionado por grandes estruturas geológicas, como a Cordilheira dos Andes de um lado e a Dorsal Atlântica de outro, e assim os tremores são sentidos, normalmente como efeitos indiretos de tremores maiores e distantes.

A cidade já registrou 45 abalos somente esse ano

A cidade já registrou 45 abalos somente esse ano

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© foto 1: Prefeitura de Jacobina/reprodução

© fotos 2, 4: Wikimedia Commons

© foto 3: LabSis/UFRN/reprodução


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