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Camilo Cristófaro: o que pode acontecer com vereador autor de fala racista na Câmara

Redação Hypeness - 09/05/2022 às 17:44 | Atualizada em 10/05/2022 às 11:01

Camilo Cristófaro é conhecido por suas falas racistas há alguns anos. O que impressiona é o fato dele ter sigo eleito reeleito Vereador nas eleições 2020, sendo o mais votado na região do Ipiranga, bairro da zona sul de São Paulo. Se em 2018 ele já havia sido acusado de racismo contra asiáticos pelo também parlamentar Goerge Hato (MDB), agora ele fez um comentário racista contra negros em plena câmara.

“Não lavar a calçada…é coisa de preto, né?”, diz Cristófaro em áudio vazado do próprio vereador durante a sessão da CPI dos Aplicativos, na Câmara dos Vereadores da capital paulistana. A fala preconceituosa (e criminosa) foi feita enquanto ele participava remotamente da reunião.

Camilo Cristófaro: o que pode acontecer com vereador autor de fala racista na Câmara

Camilo Cristófaro: o que pode acontecer com vereador autor de fala racista na Câmara

“É com uma indignação imensa que lamento mais uma denúncia de episódio racista dentro da Câmara de vereadores de São Paulo, local democrático, livre e que acolhe a todos. Como negro e presidente da Câmara tenho lutado com todas as forças contra o racismo, crime que insiste em ser cometido dentro de uma Casa de Leis e fora dela também”, disse o presidente da Câmara Municipal, Milton Leite, em comunicado.

“A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) do DHPP instaurou inquérito policial para apurar o caso da última terça-feira (3). A especializada apura crime previsto no artigo 20 da Lei 7.716/89, cuja pena é de reclusão de 2 a 5 anos e multa”, informa a pasta da Segurança Pública em nota.

De acordo com apuração da Agência Brasil, o PSB de São Paulo desfiliou o vereador no dia 4 de maior, após receber pedidos de punição de outros membros do partido pela fala racista. Mas o próprio vereador informou que já havia pedido para sair do partido no dia 28 de março – assim ele já não estaria filiado durante a abertura da investigação na Comissão de Ética do partido.

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“Brincadeira”

Cristófaro negou que tenha sido racista, em resposta à Agência Brasil. “Eu não sou racista. Setenta por cento de quem me acompanha são afros. Foi uma brincadeira infeliz com um deles, meu irmão de coração e que, mesmo ele sendo meu amigo há décadas, eu reconheço: fui infeliz, mas racista nunca”, disse o autor da fala racista.

Ainda durante a semana da repercussão, Cristófaro protagonizou outra cena grotesca. O político reuniu funcionários negros que trabalham em seu gabinete dele e gravou um vídeo postado nas redes sociais reafirmando que foi tudo uma grande “brincadeira infeliz” e que a fala foi “lamentável”, mas não racista. No vídeo, o vereador voltou a dizer que a frase vazada estava fora de contexto e foi dita durante uma conversa com um amigo negro.

“Eu tive uma fala lamentável, muito fora de contexto no momento que eu estava conversando com outra pessoa. E essa pessoa é uma pessoa afro, que é meu amigo e meu irmão. Nós estávamos brincando. E uma brincadeira infeliz”, disse. “Eu nunca fui, não sou e nem nunca serei racista. Isso aprendi com meu pai, com a minha mãe, minha família e minha origem”, completou.

Na sequência constrangedora, ele faz com que seus funcionários deem depoimentos que confirmem sua justificativa. O grupo teve que narrar o dia a dia com o político e de lambuja aproveitar para fazer propaganda dos projetos tocados por ele durante o mandato. É uma questão de ver oportunidade na crise, meô!

“É muito comum as pessoas que cometem atos racistas, pra se justificarem, colocam algum tipo de salvaguarda, a relação delas com pessoas negras. A relação de trabalho, amizade e parentesco. É uma pratica muito antiga do racismo e não isenta ninguém de ter tido uma atitude racista”, declarou a vereadora Luana Alves (PSOL), que participava da CPI dos Aplicativos na Câmara no momento que o áudio vazou.

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Acompanhada de vereadores e vereadoras da bancada de vereadores do PSOL, como Érika Hilton, Paula Nunes e Celso Giannazi, Luana Alves protocolou requerimento afirmando que “o termo ‘coisa de preto’ apresenta ofensa extensiva a toda a população negra, vez que é usado para atribuir a pessoas dessa origem étnico-racial práticas de cunho duvidoso, incompetente e desonesto”.

“A ofensa proferida é contra uma coletividade, toda uma raça, não há especificação do ofendido. (…) Enquanto problema social, o racismo manifesta-se pela depreciação do outro, sua inferiorização e exclusão dos bens materiais e simbólicos capazes de lhe garantir uma existência digna. Trata-se de uma ideologia de dominação e ódio, que funciona como um sistema de subalternização de pessoas com relação a traços físicos, elementos visíveis”, disse o requerimento protocolado na polícia.

A apuração da investigação pode resultar na cassação do mandato do vereador. “O fato é compatível com a pena máxima. O clima não está bom para ele”, afirmou Miton Leite.

Essas punições são de ordem prática. Mas o bacana mesmo seria ele ser punido de fato pelo crime, não só afastado de qualquer cargo. E parar de ser votado. Ajudaria bastante.

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Fotos de Camilo Cristófaro: André Bueno/Rede Câmara
Foto vídeo: Reprodução
Foto Psol: Divulgação


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