Ciência

Candiru: conheça o ‘peixe vampiro’ que habita as águas do Amazonas

30 • 05 • 2022 às 10:23 Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Conhecido pelo ilustrativo apelido de “Peixe-Vampiro”, o Candiru é um peixe encontrado em grande parte da bacia amazônica e, apesar de medir em geral poucos centímetros, é também um dos animais mais temidos da região. Encontrado nas águas do Rio Amazonas que banham Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru, esse peixe-gato da família dos Tricomicterídeos, com nome científico de Vandellia cirrhosa, é capaz de penetrar orifícios do corpo humano, como o nariz, o ouvido e a boca, mas também pela uretra, a vagina e o ânus, e se fixar no interior do corpo através de espinhos que possui em sua cabeça.

O Vandellia cirrhosa, mais conhecido como Candiru ou "Peixe-Vampiro"

O Vandellia cirrhosa, mais conhecido como Candiru ou “Peixe-Vampiro”

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É comum que muitos dos incidentes com o Candiru em humanos aconteça com mulheres pelo fato do peixe possuir a capacidade de captar odores dentro da água – principalmente de sangue. Assim, ao mesmo tempo em que o “peixe-vampiro” costuma entrar em animais mortos dentro das águas do Amazonas, ele também percebe, por exemplo, mulheres em período menstrual, principalmente quando urinam dentro do rio. Segundo dados oficiais, os casos são poucos, porém recorrentes: estima-se que um incidente aconteça por mês na região, com Rondônia apresentando cerca de 10 situações por ano do peixe encontrado dentro de um ser humano.

Os mais perigosos indivíduos da espécie costumam ser também os menores

Os mais perigosos indivíduos da espécie costumam ser também os menores

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O Candiru se atrai por urina, por calor e especialmente por sangue, já que se trata de um animal hematófogo, ou que se alimenta do sangue de outros animais – daí o apelido de “peixe-vampiro”. O corpo liso e pequeno do peixe faz com que a entrada nos orifícios seja especialmente veloz, mas a retirada, por conta dos espinhos e de suas nadadeiras, pode exigir procedimento cirúrgico. É especialmente recomendado, portanto, que não se mergulhe nas águas do rio com ferimentos recentes que possam sangrar, bem como vestindo roupas de banho que não cubram corretamente os órgãos genitais – e que não urine durante o mergulho.

Um Candiru atacando - e sugando o sangue - de outro peixe nas águas amazônicas

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Com seu corpo translúcido, o animal é capaz de se camuflar nas águas escuras do Amazonas. A invasão do peixe pela uretra, por exemplo, costuma provocar dor intensa na região, e bloqueio no canal, dificultando a saída da urina. Apesar de costumeiramente medir poucos centímetros, o Candiru pode passar de 10 a 15 centímetros, e há registros de indivíduos da espécie alcançando 40 centímetros de comprimento. Os mais perigosos e capazes de parasitar os seres humanos, porém, são mesmo os menores. Assim, engana-se quem teme, na região, somente as anacondas ou os jacarés: um peixe pouco maior do que uma unha humana pode ser um encontro tão ou mais doloroso.

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© foto 1: Getty Images

© fotos 2, 3: Prefeitura Municipal de Belém/reprodução


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