Ciência

Ciência consegue recriar perfume de Cleópatra 2 mil anos depois; saiba cheiro

26 • 05 • 2022 às 08:10
Atualizada em 01 • 06 • 2022 às 10:39
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Uma equipe de arqueólogos da Universidade do Havaí conseguiu recriar o famoso perfume de Cleópatra, rainha que governou o Egito entre os anos 51 e 30 antes da era comum.

Robert Littman e Jay Silverstein se juntaram aos egiptólogos Sean Coughlin e Dora Goldsmith para reconstruirem o aroma, a partir de escrituras e da descoberta de uma antiga fábrica de perfumes de 2,3 mil anos, encontrada a partir de escavações em Thmouis, cidade próxima a Mendes. Era lá que os mais famosos perfumes do mundo eram à época fabricados, e o “Perfume Mendesiano” seria o preferido da última rainha egípcia.

Reprodução de pintura antiga mostrando Cleópatra: o perfume egípcio era famoso no período

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O resultado da pesquisa foi exibido em 2019, na exposição “Queens of Egypt”, no National Geographic Museum, em Washington, D.C, nos Estados Unidos, quando os visitantes puderam sentir o aroma. De acordo com o artigo, publicado no final do ano passado na revista científica  Near Eastern Archaeology, o perfume recriado é “extremamente agradável, com uma nota de base picante de mirra, canela recém-moída e acompanhada de doçura”, diz o texto. “A base para perfumes e unguentos [egípcios] era óleo vegetal ou gordura animal, em vez do nosso álcool moderno”, escreveram os arqueólogos, que definiram o trabalho como um exemplo de “arqueologia experimental”.

Registro da fábrica de perfumes encontrada em sítio arqueológico em Thmouis

Registro da fábrica de perfumes encontrada em sítio arqueológico em Thmouis

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A equipe analisou moléculas e bactérias encontradas nos frascos da fábrica em Thmouis, assim como o iodo do Rio Nilo, utilizado nas composições, a fim de se aproximar o máximo do cheiro efetivo dos perfumes fabricados há dois mil anos na região. “Os aromas foram criados através da fumaça da queima de resinas perfumadas, cascas e ervas (“perfume” deriva de per fumum “através da fumaça”), ou através da maceração por resinas, flores, ervas, especiarias e madeira”, diz o artigo.

O perfume recriado em 2019, exposto no National Geographic Museum

O perfume recriado em 2019, exposto no National Geographic Museum, na capital dos EUA

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A pesquisa também partiu do estudo de antigas escrituras descrevendo os perfumes e suas fórmulas, em hieróglifos que datam do período a partir da morte de Cleópatra, no ano 30 antes da era comum. No sítio arqueológico descoberto em Thmouis foram encontrados artefatos, fornos e recipientes de argila, que revelaram resíduos dos perfumes fabricados no local há 2,3 mil anos. O trabalho de recriação do perfume utilizou ingredientes como óleo de tâmara, mirra, canela e resina de pinheiro. Assim, o antigo “Perfume Mendesiano”, que encantava o mundo antigo e era o preferido de Cleópatra, pôde ser sentido novamente – mais de 2 mil anos depois.

Pintura de Cleópatra por John William Waterhouse

Pintura de Cleópatra por John William Waterhouse

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© fotos 1, 4: Wikimedia Commons

© foto 2: Universidade do Havaí/reprodução

© foto 3: National Geographic Museum/reprodução


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