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Esta mulher sobreviveu a maior queda sem o uso de paraquedas que se tem notícia

30 • 05 • 2022 às 19:04
Atualizada em 02 • 06 • 2022 às 10:01
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

A comissária de bordo sérvia Vesna Vulović tinha apenas 23 anos quando sobreviveu a uma queda de mais de 10 mil metros de altura sem paraquedas, no dia 26 de janeiro de 1972, em recorde que permanece até hoje, passados 50 anos. O acidente aconteceu enquanto o voo 367 da JAT Yugoslav Airways sobrevoava a antiga Checoslováquia, hoje República Tcheca, e explodiu a 33.333 pés de altura, durante uma viagem que vinha de Estocolmo, na Suécia, com destino a Belgrado, na Sérvia: dos 23 passageiros e 5 tripulantes, somente Vesna sobreviveu.

A comissária de bordo sérvia Vesna Vulović, à época do acidente

A comissária de bordo sérvia Vesna Vulović, à época do acidente que sobreviveu 

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Antes de chegar à capital da Sérvia, o voo tinha planejado duas escalas: a primeira se deu em Copenhague, na Dinamarca, onde uma nova tripulação, que incluía Vesna, embarcou – a segunda parada, que seria em Zagreb, na Croacia, não aconteceu. 46 minutos após a decolagem, uma explosão despedaçou o avião, lançando as pessoas a bordo ao ar e à temperatura congelante da altitude extrema. A comissária, porém, encontrava-se na parte de trás da aeronave, que caiu numa floresta na vila de Srbská Kamenice, na Checoslováquia, e resistiu com vida presa a um carrinho de comida que estava na cauda do avião.

Um avião McDonnell Douglas DC-9 da JAT Airways exatamente igual ao que explodiu

Um avião McDonnell Douglas DC-9 da JAT Airways exatamente igual ao que explodiu em 1972

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A explosão aconteceu no compartimento de bagagens da aeronave, e partiu o avião em três pedaços: a cauda da fuselagem, onde Vesna se encontrava, teve sua velocidade reduzida pelas árvores da floresta, e caiu sobre uma grossa camada de neve em uma angulação perfeita. Segundo a equipe médica, a baixa pressão sanguínea da jovem provocou um rápido desmaio no momento da despressurização, que impediu que seu coração sentisse o impacto. A comissária permaneceu dias em coma, e enfrentou um traumatismo craniano, e fraturas das duas pernas, em três vértebras, na pélvis e nas costelas.

Os destroços do voo, de onde a comissária foi tirada com vida

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Vesna Vulović permaneceu 10 meses sem conseguir andar durante sua recuperação, mas foi recebida com honrarias em sua Iugoslávia natal: a medalha e o certificado por sua entrada no Guinness Book, o livro dos recordes, lhe foi oferecida pelas mãos de Paul McCartney, seu ídolo de infância. As investigações concluíram que o acidente foi provocado por um atentado terrorista, realizado pelo grupo terrorista ultranacionalista croata Ustashe, com uma bomba colocada em uma maleta no compartimento de bagagem.

Vesna nos anos 1980, recebendo a medalha por seu recorde de Paul McCartney

Vesna nos anos 1980, recebendo a medalha por seu recorde de Paul McCartney

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Após o acidente e sua recuperação, Vesna seguiu trabalhando no escritório da JAT Airways até o início dos anos 1990, quando foi demitida por protestar contra o governo de Slobodan Milošević, então presidente da Sérvia. Seus últimos anos de vida foram passados em um apartamento pequeno em Belgrado, com uma pensão de 300 euros por mês que a manteve em profunda pobreza. “Sempre que penso no acidente, sinto predominantemente um sentimento de culpa por ter sobrevivido e eu choro. Então acho que talvez não devesse ter sobrevivido”, ela disse. “Não sei o que dizer quando as pessoas dizem que eu tive sorte”, observou. “A vida é tão difícil hoje”. Vesna faleceu por problemas cardíacos em 2016, aos 66 anos.

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© fotos 1, 2, 3: Wikimedia Commons/reprodução

© foto 4: Guinness Book/reprodução


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