Tecnologia

Estudante do ensino médio cria braço protético acessível controlado pela mente

16 • 05 • 2022 às 10:15
Atualizada em 18 • 05 • 2022 às 09:13
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Para que novas tecnologias no campo das próteses representem avanços reais e efetivamente inclusivos, é preciso que tais novidades sejam também acessíveis, e foi essa nada simples tarefa que o jovem estadunidense Benjamin Choi escolheu para realizar durante a pandemia. Choi aproveitou o tempo vago passado em casa durante a quarentena para investir em um projeto realmente relevante, e desenvolveu uma prótese robótica e de baixo custo que pode ser controlada pela mente de quem a utilizar e sem a necessidade de uma cirurgia invasiva no cérebro: um ponto importante dessa incrível história é o fato de que Choi é realmente jovem – ainda um estudante de escola do estado de Virginia, nos EUA.

O estadunidense Benjamin Choi diante de seu "projeto de pandemia"

O estadunidense Benjamin Choi diante de seu “projeto de pandemia”

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Quando iniciou o projeto, em 2020, o estudante estava no equivalente ao segundo ano do ensino médio e, durante a interrupção imposta pela pandemia, começou a pesquisar sobre o uso de interfaces neurais para controlar próteses. Maravilhado com as possibilidades que descobriu em tal aplicação tecnológica, rapidamente ele também identificou possíveis dilemas, que lhe impulsionaram a se lançar ao trabalho. “Eu fiquei espantado à época com essa tecnologia, que é realmente impressionante, mas também fiquei preocupado com o fato de que seu uso exigia uma cirurgia no cérebro arriscada, e também me alarmou o fato de que eram muito inacessíveis, custando centenas de milhares de dólares”, comentou, em reportagem da revista Smithsonian.

A prótese de Choi responde aos estímulos cerebrais com somente o sensor na cabeça

A prótese de Choi responde aos estímulos cerebrais com somente o sensor na cabeça

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Seu “projeto de pandemia” então se tornou um só: desenhar uma nova versão da prótese, que resolvesse ou ao menos amenizasse tais questões – e passou a trabalhar 16 horas por dias, em um laboratório improvisado sobre uma mesa de pingue pongue no porão de sua casa. Choi, que tinha então apenas 15 anos, aproveitou a experiência que já possuía com programação e robótica e conseguiu desenvolver, sozinho e de forma independente, uma primeira versão de uma prótese robótica de um braço, finalizada na impressora 3D de sua irmã. O protótipo utilizava um algoritmo desenvolvido pelo jovem para compreender informações a partir de ondas cerebrais e gestos de cabeça para se mover.

O uso da prótese de Choi não exige qualquer cirurgia invasiva e delicada no cérebro

O uso da prótese de Choi não exige qualquer cirurgia invasiva e delicada no cérebro

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Já no final de 2020, o jovem recebeu um investimento para desenvolvimento de seu protótipo da empresa polySpectra, Inc., especializada em impressões 3D, e no ano seguinte o projeto passou a contar também com a parceria do Massachusetts Institute of Technology (MIT), para prosseguir com a pesquisa e aproveitar a ajuda de especialistas do mais importante instituto de tecnologia do mundo. Hoje com 17 anos, Choi conseguiu de fato alcançar os objetivos que estabeleceu na pandemia, desenvolvendo uma prótese robótica controlada por ondas cerebrais a partir de um sensor posicionado na cabeça, e que custa menos de 300 dólares para ser fabricada – uma diferença radical se comparado ao valor dos modelos considerados atualmente de ponta, entre 10 mil a 450 mil dólares.

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Seu algoritmo é hoje reconhecido como um dos melhores já desenvolvidos na interpretação de ondas cerebrais: com uma precisão de 95%, ele é consideravelmente melhor do que o padrão de 78,3% encontrado em modelos similares. Assim, é fácil compreender porque o jovem estudante se tornou um dos 40 finalistas no Regeneron Science Talent Search 2022, a mais antiga e prestigiada competição de ciências e matemática dos EUA. Seus planos agora incluem estudar engenharia, para continuar a aprimorar sua prótese, a fim de que em breve possa oferecê-la ao mercado como uma alternativa funcional e viável para quem mais precisa. “Talvez isso soe clichê, mas é realmente possível ajudar as pessoas, eu acho, através da engenharia e da tecnologia”, concluiu o futuro engenheiro.

Desde o desenvolvimento o projeto de Choi teve como objetivo a redução do custo da prótese

Desde o desenvolvimento o projeto de Choi teve como objetivo a redução do custo da prótese

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© fotos 1, 4: Society for Science/divulgação

© fotos 2, 3: Youtube/reprodução


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