Ciência

Estudo descobre relação medicinal entre golfinhos e corais; entenda

27 • 05 • 2022 às 09:52
Atualizada em 30 • 05 • 2022 às 19:11
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Alguns golfinhos aproveitam as propriedades medicinais dos corais no Mar Vermelho para curar eventuais doenças de pele, e se esfregam contra os recifes como se fossem cremes esfoliantes especiais. A descoberta revela um verdadeiro hábito higiênico dos animais, e foi publicada recentemente na revista científica iScience, mas remonta à pesquisa iniciada em 2009, quando a bióloga e mergulhadora Angela Ziltener, da Universidade de Zurique registrou o inesperado comportamento dos golfinhos-nariz-de-garrafa entre os animais marinhos invertebrados no mar da costa do Egito.

O comportamento dos golfinhos parece ter objetivo médico - para sarar doenças de pele

O comportamento dos golfinhos parece ter objetivo médico – para sarar doenças de pele

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Enquanto registrava os golfinhos se esfregando contra os recifes de corais, Ziltener reparou que os animais repetiam frequentemente o processo, e sempre contra os mesmos organismos: é sabido que outros animais marinhos, como orcas e belugas, costumam se esfregar contra a areia, por exemplo, possivelmente para realizar algum tipo de limpeza. Durante a investigação com os golfinhos no Mar Vermelho, porém, a bióloga e sua equipe perceberam que os corais liberavam uma espécie de muco, que tingia a pele dos animais – feito fosse um creme ou medicamento.

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Foi a partir de tal descoberta que, em 2019, a equipe de pesquisadores analisou duas amostras dos corais e esponjas locais, das espécies Rumphella aggregata e Sarcophyton sp., e um coral do tipo Ircinia sp., e encontrou 17 substâncias antibacterianas ou antioxidantes nos preferidos como esfoliantes entre os animais.  “[Esses componentes químicos] podem ser úteis para profilaxia ou tratamento auxiliar contra infecções microbianas”, afirmou Gertrud Morlock, autora principal do estudo e química da Universidade alemã de Giessen. “É como se eles estivessem tomando banho, se limpando antes de dormir ou acordar”, diz a cientista.

No vídeo, os animais aparecem se esfregando repetidas vezes contra o mesmo coral

No vídeo, os animais aparecem se esfregando repetidas vezes contra o mesmo coral

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“A fricção repetida permite que esses metabólitos ativos entrem em contato com a pele dos golfinhos, ajudando-os a alcançar homeostase da pele, e sendo útil para tratamentos profiláticos ou auxiliares contra infecções microbianas”, diz o texto do artigo. Além de explicar a razão do comportamento dos golfinhos, o estudo também reitera a importância urgente da preservação dos invertebrados nos recifes, como forma de também proteger a saúde do planeta – e dos golfinhos.

17 substâncias antibacterianas ou antioxidantes foram encontradas nas amostras analisadas

17 substâncias antibacterianas ou antioxidantes foram encontradas nas amostras analisadas

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© foto 1: Angela Ziltener/reprodução

© fotos 2, 3, 4: Angela Ziltener/Twitter/reprodução


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