Debate

Família é criticada após colocar criança de 6 anos para correr uma maratona completa

16 • 05 • 2022 às 19:23 Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

O casal Ben e Kami Crawford faz sucesso no Youtube e nas redes sociais como atletas e influenciadores esportivos, mas tornaram-se alvo de intensas críticas recentemente, após colocarem o filho Rainier, de apenas seis anos, para enfrentar os 42 km de uma maratona completa: o episódio alcançou bastante repercussão negativa, que enxergou a participação da criança em uma prova de extrema dificuldade até mesmo para atletas adultos e profissionais como mais um absurdo esforço para conquistar clicks e visualizações nas redes – muita gente se referiu ao caso como uma situação de abuso infantil. A corrida aconteceu na cidade de Cincinnati, no estado de Ohio, nos EUA, e foi concluída por Rainier em 8 horas e 30 minutos.

O casal Ben e Kami Crawford com o filho Reinier antes da maratona

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Ben e Kami são pais de 6 crianças, e toda a família participou da maratona Flying Pig, ocorrida em 29 de abril, ao lado do mais novo, a única criança pequena da família, e após os posts e notícias informando da participação da criança, as críticas surgiram tanto de profissionais de saúde quanto de outros atletas e comentaristas nas redes. “Não sei quem precisa ser informado sobre isso, mas com seis anos você não compreende os impactos físicos de uma maratona. Aos seis anos você não compreende o que é abraçar o sofrimento. Aos seis anos, sofrendo fisicamente, você não compreende que tem o direito de parar e deve parar”, escreveu a atleta olímpica Kara Goucher, de 43 anos e medalha de prata no Campeonato Mundial de Atletismo de 2007 nos 10 mil metros.

O casal treinando com a criança: a maratona não foi a primeira corrida que o filho participou

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“Não estou questionando nenhuma motivação e dizendo são pais ruins, mas como atleta olímpica, eu tenho certeza que isso não faz bem para a criança. Crianças são crianças. Deixe que elas corram por aí, mas como pais é necessário proteger seus corpos e suas mentes em formação”, afirmou a atleta, que representou os EUA nas Olimpíadas de 2008 e 2012. Médicos também foram às redes, incluindo comentários nas postagens da própria família, para explicar que o imenso esforço de uma maratona completa pode causar sérios riscos à saúde de um corpo ainda em desenvolvimento, além do estresse emocional que a disputa pode provocar em crianças – algumas pessoas que afirmaram ter assistido ou participado da corrida revelaram que o pequeno chorou e sofreu intensamente durante toda a corrida.

A atleta olímpica estadunidense Kara Goucher comentou a situação

A atleta olímpica estadunidense Kara Goucher criticou a situação

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“Uma criança parando a cada 3 minutos, depois de 32 km, chorando e emocionalmente abalado. Pais ‘o ‘subornando’ para concluir a corrida, prometendo que ele vai ganhar Pringles. Pais não vendo questão nenhuma em permitir que isso aconteça. Está tudo errado nessa história”, escreveu o maratonista Lee Troop, em seu Twitter, a respeito de postagem da família, que revelou a “promessa” de pagar o esforço da criança com batatas fritas. Depois da repercussão negativa, que também criticou a organização da corrida por permitir a participação da criança, a família foi às redes sociais para explicar a situação e defender a decisão de incluir Rainier na maratona, vencida por Zac Holtkamp em 2 horas, 27 minutos e 18 segundos.

Outro post mostra os pais "pagando" a promessa de dar Pringles para à criança por completar a prova

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“Nós nunca forçamos nenhum dos nossos filhos a correr uma maratona e não podemos imaginar que algo assim seja possível, seja em termos físicos ou emocionais. Damos a possibilidade de escolha para cada um deles a cada corrida. Ano passado, dois deles correram sem a nossa companhia. Em 9 anos, recebemos 53 medalhas, a maioria das crianças”, diz a nota postada pelo casal em perfil no Instagram. “Após o nosso de 6 anos implorar para se unir a nós, permitimos que ele treinasse e tentasse. Falamos com ele que era só 50% de chances dele chegar ao fim e permitimos que ele parasse a qualquer momento, quando ele quisesse ou se achasse que a segurança dele estava em risco. Perguntamos várias vezes se ele queria parar e ele foi muito claro que queria continuar. Não vimos nenhum sinal de exaustão ou desidratação e respeitamos a vontade dele de seguir correndo”, diz o texto.

A família inteira participou da maratona

A família inteira participou da maratona

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© fotos 1, 2, 4, 5: Instagram/reprodução

© foto 3: Getty Images


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